Se banhar nas águas que hoje banham a costa do Marrocos, há 67 milhões de anos, seria uma péssima ideia. Naquela época, durante o Cretáceo Superior, o Atlântico cobria a região com mares rasos habitados por criaturas gigantescas. Entre elas, um recém-descoberto superpredador marinho capaz de inspirar respeito até nos animais mais ferozes.
Um titã dos mares antigos
A descoberta foi realizada por uma equipe internacional de paleontólogos ligados ao Muséum National d’Histoire Naturelle de Paris, à Universidade de Bath, à Universidade de Bilbao e ao Office Chérifien des Phosphates. O fóssil pertence a um novo tipo de mosassauro, grupo de répteis marinhos extintos que dominaram os oceanos no fim da Era dos Dinossauros.
O animal recebeu o nome científico Thalassotitan atrox — combinação do grego thalassa (mar), titan (gigante) e atrox (cruel). Com quase 12 metros de comprimento e um crânio de 1,4 metro, o réptil apresentava focinho curto e largo, com dentes grandes e cônicos semelhantes aos das orcas modernas. Para efeito de comparação, ele chegava a ser o dobro do tamanho de um grande tubarão-branco.
O predador no topo da cadeia alimentar
O Thalassotitan atrox ocupava o ápice da cadeia alimentar em seu ecossistema. Suas mandíbulas robustas eram perfeitas para agarrar e despedaçar presas de grande porte. Segundo os pesquisadores, o desgaste e as fraturas encontrados nos dentes indicam que sua dieta incluía peixes gigantes, tartarugas marinhas e até outros répteis.
Próximo ao fóssil, os cientistas localizaram restos de diferentes animais marinhos que exibiam marcas compatíveis com a digestão ácida de um predador. Entre eles, foram identificados fragmentos de plésiossauros, carapaças de tartarugas e ossos de ao menos três espécies de mosassauros menores.
Um achado que amplia o retrato do Cretáceo
A descoberta desse fóssil reforça a imagem dos mares cretáceos como ambientes de intensa competição, onde criaturas colossais disputavam espaço e alimento. Para os paleontólogos, o Thalassotitan atrox é mais uma prova de como a biodiversidade marinha antes da extinção em massa do fim do Cretáceo era rica e diversificada.