Quando pensamos em cães agressivos, é comum imaginar um animal grande, com porte intimidador e dentes à mostra. No entanto, uma pesquisa recente mostrou que essa impressão pode estar completamente equivocada.
Cães pequenos, grandes temperamentos
Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que, de forma contraintuitiva, cães de pequeno porte tendem a apresentar mais comportamentos agressivos do que os de porte grande. Os pesquisadores analisaram 665 cães, de 57 raças diferentes, com o objetivo de entender quais fatores influenciam a agressividade.
Os tutores responderam a três questionários: um sobre si mesmos, outro sobre as características de seus cães e um último sobre comportamentos agressivos, como latidos excessivos, tentativas de mordida ou ataques. O resultado surpreendeu: quanto mais pesado o cão, menor a probabilidade de apresentar agressividade.
O papel do formato do crânio
Outro ponto curioso identificado foi a relação entre a agressividade e o formato do crânio do animal. Cães braquicefálicos — aqueles de focinho curto e achatado — apresentaram comportamento agressivo em uma frequência 79% maior contra seus próprios donos, quando comparados a cães de crânio médio (mésocéfalos).
Entre as raças braquicefálicas estão os carlinhos (pugs), buldogues, terriers de Boston e shih tzus. Já entre os mésocéfalos, exemplos incluem beagles, golden retrievers e labradores, geralmente reconhecidos por seu temperamento equilibrado.
Le sabia? O formato do crânio influencia não apenas o comportamento, mas também questões respiratórias e de saúde ocular em cães braquicefálicos.
Sexo do cão e do tutor também influenciam
A pesquisa também descobriu que fêmeas tendem a ser menos agressivas: a probabilidade de comportamento hostil contra o tutor foi 40% menor do que nos machos. Além disso, a agressividade variou conforme o sexo do tutor: cães de homens apresentaram comportamento agressivo 73% mais frequentemente do que cães de mulheres.
Esses resultados reforçam que o comportamento canino é moldado por uma combinação de fatores genéticos, físicos e ambientais. Mais do que culpar o tamanho ou a raça, entender esses aspectos pode ajudar na prevenção de acidentes e na construção de uma relação mais saudável entre humanos e seus melhores amigos.