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Pescadores resgatam 38 cães perdidos no lago em missão improvável

Daniel Faria

Numa manhã de pesca no tranquilo lago Grenada, no Mississippi, dois amigos tiveram muito mais do que anzóis e iscas à vista. O que começara como um passeio comum acabou se transformando em um resgate digno de histórias para contar.

Uma manhã de pesca diferente

manhã de pesca diferente

Bob Gist, do Arkansas, e seu amigo Brad Carlisle, do Tennessee, embarcaram junto com o guia Jordan Chrestman para aproveitar as famosas mariganas negras do lago, cerca de 200 km ao sul de Memphis. Não demorou para que, a poucos quilômetros da margem, algo inusitado chamasse a atenção: dezenas de cães nadando em círculos, claramente exaustos e sem rumo.

Eu mesmo passei por situação curiosa certa vez, ao avistar patinhos presos numa correnteza — a sensação de ver vidas à deriva é algo difícil de esquecer. Para Bob e Brad, a urgência de ajudar foi imediata.

Uma pescaria que virou resgate

pescaria

Ao se aproximarem, os três pescadores viram que os 38 cães usavam colares de rastreamento e tinham marcas de tinta no dorso. Desorientados, nadavam sempre em direção ao centro do lago, sem enxergar a margem a mais de um quilômetro de distância. Sem pensar duas vezes, os amigos recolheram 27 cães no primeiro turno e os deixaram em segurança na praia. Em seguida, voltaram para buscar os 11 restantes.

O trabalho exigiu cuidado: muitos animais, embora exaustos, apresentavam confiança imediata com os recém-chegados. Em minha experiência com resgates de pequenos animais, aprendi que a calma transmite segurança — e foi justamente essa tranquilidade que os cães precisaram para encarar o bote.

A caçada que deu errado

caçada que deu errado

Mais tarde descobriu-se que os cães participavam de uma “Fox Run” — atividade em que são treinados para perseguir um rastro de fumaça ou de brinquedo em vez de um animal real. Neste dia, porém, um cervo cruzou nadando o lago, e os cães, movidos pelo instinto de caça, o seguiram até se perderem. Sem embarcações à mão, os tutores ficaram presos à margem, sem como socorrer seus companheiros.

Ao final, cada dono recebeu seus cães fervorosamente abraçados, e Bob resumiu bem a lição do dia: “Viemos pescar, mas terminamos salvando vidas”. Essa demonstração de solidariedade improvisada certamente ficará na memória de todos os envolvidos — e comprova que, às vezes, a melhor “pesca” não está nos rios, mas em devolver o rumo a quem se perde.

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