Embora se fale com frequência que raças “grandes” ou “mais ferozes” seriam responsáveis pela maioria dos acidentes, uma análise aprofundada mostra que a raça por si só não é capaz de prever o risco de mordida. Confira a seguir os principais resultados desse levantamento e saiba quais elementos realmente devem entrar na avaliação desse risco.
Sem relação direta entre raça e risco de mordida
Anualmente, cerca de 10 mil incidentes de mordidas são notificados junto às autoridades responsáveis pela proteção à população. Esse número, porém, pode representar apenas uma fração dos casos reais, já que médicos, bombeiros e veterinários são obrigados a comunicar cada ataque. Em uma análise encomendada pelo Ministério da Agricultura da França, a Agência Nacional de Segurança Sanitária (ANSES) concluiu que não há evidências robustas para associar o ato de morder à raça ou ao tipo racial do cão.
Diversos fatores influenciam o comportamento
Para estimar corretamente o risco de mordida, é preciso observar um conjunto de aspectos relacionados tanto ao animal quanto à pessoa envolvida:
Fatores ligados ao cão
- Temperamento e socialização: a forma como foi criado e exposto a outros animais e pessoas;
- Idade e sexo: cães adultos e machos não castrados têm maior probabilidade de exibir comportamentos agressivos;
- Saúde física e emocional: dor crônica ou distúrbios comportamentais podem elevar o estresse;
- Histórico de treinamento: métodos baseados em reforço positivo reduzem reações impulsivas.
Fatores ligados às pessoas
- Faixa etária e atitudes: crianças pequenas e pessoas que não identificam sinais de alerta canino estão mais vulneráveis;
- Ambiente e contexto: mordidas em locais desconhecidos ou sob estresse aumentam o risco;
- Habilidade de comunicação: interpretar corretamente o recuo, o rosnado ou a linguagem corporal do cão faz toda a diferença.
Legislação de cães potencialmente perigosos e suas limitações
Em muitos países — incluindo França, Estados Unidos e Holanda — raças como American Staffordshire Terrier (pit bull), Mastiff, Tosa e Rottweiler acabaram sendo enquadradas em categorias que exigem licenças, avaliação comportamental e seguro de responsabilidade civil. No entanto, mesmo entre esses cães, não foi observado índice de mordidas maior do que em outras raças. Diversas nações já abandonaram essa classificação ao comprovar sua ineficácia na redução de incidentes.
As raças que mais aparecem nos registros de mordidas
Em levantamento feito entre maio de 2009 e junho de 2010 em oito hospitais, as 15 raças mais envolvidas em atendimentos por mordida foram:
- Pastor Alemão – 10%
- Labrador Retriever – 9%
- Jack Russell Terrier – 6%
- Beauceron – 3%
- Border Collie – 3%
- Boxer – 3%
- Rottweiler – 3%
- Pastor Belga – 3%
- Braque – 2%
- Cocker Spaniel – 2%
- Husky Siberiano – 2%
- American Staffordshire / Pit Bull – 2%
- Dachshund (Teckel) – 2%
- Spaniel – 2%
- Yorkshire Terrier – 2%
Surpreendentemente, raças pequenas como Yorkshire e Cocker figuram ao lado de cães de grande porte, reforçando que o porte não é sinônimo de perigo.