Ver um cãozinho ou gatinho girando atrás da própria cauda pode parecer engraçado e até render boas risadas. No entanto, esse gesto aparentemente inofensivo pode, em alguns casos, indicar problemas de saúde ou até um distúrbio comportamental, principalmente quando aparece em animais adultos.
Quando é apenas uma brincadeira
Filhotes de cães e gatos costumam ser curiosos e cheios de energia, explorando tudo ao redor. Correr atrás da cauda é, muitas vezes, apenas um jeito divertido de brincar. Nesses casos, o animal se distrai facilmente com outro estímulo e logo parte para outra atividade. Veterinários explicam que esse comportamento é típico da fase juvenil e tende a desaparecer à medida que o pet cresce.
Quando pode ser sinal de problema físico
Em animais adultos, a perseguição à cauda pode sinalizar desconforto. Especialistas apontam duas causas bastante comuns:
- Pulgas: como a região lombar, próxima à base da cauda, costuma ser um dos pontos mais atacados, o animal pode girar tentando alcançar o local para se coçar ou morder.
- Inflamação das glândulas anais: essas glândulas, localizadas ao lado do ânus, podem se inflamar e causar dor intensa, comparável à de uma hemorroida em humanos. O cão ou gato tenta aliviar lambendo a área e, sem sucesso, gira em círculos.
Nesses casos, o comportamento surge de forma súbita e repetitiva, e o tutor deve procurar um veterinário para avaliar a origem do incômodo.
Questão comportamental
Outra possibilidade é que o comportamento esteja ligado a transtornos compulsivos. Conhecidos como “spinning” (girar sobre si mesmo) e “tail chasing” (perseguir a cauda), esses gestos se repetem de forma obsessiva, sem motivo aparente. Segundo especialistas, eles podem ser comparados aos transtornos obsessivo-compulsivos (TOC) em humanos.
Esse tipo de estereotipia costuma aparecer em situações como:
- Falta de estímulo: animais que vivem em ambientes pouco enriquecidos, como criadouros ou zoológicos, tendem a repetir movimentos de forma automática.
- Insegurança: o cão pode girar quando o tutor não está presente, como forma de expressar ansiedade de separação.
- Estresse geral: excesso de estímulos, a presença de outro animal invasivo ou mesmo um humano que não respeita os limites podem desencadear o comportamento.
Como diferenciar as causas
Veterinários orientam a observar alguns sinais para entender a origem:
- Brincadeira: o pet se diverte, mas logo muda de atividade quando chamado ou distraído.
- Problema físico: o movimento é associado a desconforto; o animal insiste e demonstra estar incomodado.
- Distúrbio comportamental: o gesto é repetitivo, constante e parece desconectado do ambiente; em muitos casos, ocorre quando o tutor se ausenta.
Bom saber
Existe também uma predisposição genética: raças como o bull terrier e o pastor alemão estão entre as mais propensas ao “spinning”. Isso não significa que todos desenvolverão o comportamento, mas exige atenção redobrada dos tutores para identificar sinais precoces.