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Estudo mostra por que os gatos escolhem sempre a comida mais fácil de alcançar

Daniel Faria

Quem convive com felinos já percebeu: eles raramente se dão ao trabalho de complicar a vida quando o assunto é comida. Um novo estudo mostra que, ao contrário de muitos outros animais, os gatos domésticos preferem a refeição que exige menos esforço. Mas, segundo os cientistas, isso não significa simplesmente preguiça.

Um comportamento diferente de outros animais

Pesquisas anteriores já mostraram que cães, ursos, cabras, ratos, primatas e até pombos tendem a optar pelo chamado “contrafreeloading”, termo criado pelo psicólogo Glenn Jensen nos anos 1960. Em outras palavras, essas espécies preferem trabalhar um pouco para conseguir alimento, mesmo que tenham comida disponível de graça ao lado. Essa busca ativa traz benefícios mentais e estimula comportamentos naturais.

Os gatos, no entanto, parecem nadar contra a maré. O estudo publicado na revista Animal Cognition observou que, quando recebem a escolha entre croquetes servidos em um prato ou escondidos em um dispensador interativo, os felinos quase sempre vão direto à refeição mais simples.

Preguiça ou algo mais complexo?

Curiosamente, até os gatos mais ativos do experimento mostraram a mesma preferência. Isso levou os cientistas a descartar a hipótese de que se trate apenas de preguiça felina.

Uma explicação possível está na domesticação. Como gatos de casa não precisam caçar para sobreviver, é natural que priorizem a praticidade. Mas essa justificativa não resolve a contradição: outros animais domesticados continuam a escolher desafios alimentares, mesmo quando vivem em condições semelhantes.

O papel da evolução e da caça

A equipe também sugere que o comportamento pode estar ligado ao instinto de caçadores de emboscada dos gatos. Ao contrário de espécies que buscam alimento ativamente, os felinos desenvolveram estratégias de espera, observação e ataque. Isso significa que brinquedos ou dispensadores que imitam a caça podem não ser suficientemente estimulantes, já que não reproduzem a experiência de surpreender uma presa em movimento.

Por que entender esse hábito é importante

Segundo os especialistas, estudar o “contrafreeloading” em gatos ajuda a pensar no bem-estar animal. Muitos tutores utilizam comedouros interativos justamente para enriquecer o ambiente e estimular mentalmente os bichanos. Entender que esses animais podem não responder da mesma forma que outras espécies é essencial para criar atividades mais eficazes e evitar o tédio.

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Daniel Faria