Uma polêmica prática estética vem gerando revolta na China: clínicas oferecem cirurgias para modificar as orelhas de gatos e cães, deixando-as parecidas com as do personagem Mickey Mouse. O procedimento, divulgado como “fofo” por alguns, está sendo duramente criticado por defensores dos animais e profissionais de saúde.
A cirurgia da discórdia
A controvérsia ganhou destaque após uma clínica veterinária em Chongqing anunciar um “pacote promocional” para a chamada operação das “orelhas de Mickey”. Pelo valor aproximado de 300 yuans (cerca de 38 euros), tutores poderiam submeter seus animais a uma cirurgia de meia hora sob anestesia, seguida de uma etapa de “modelagem” que manteria as orelhas eretas.
O efeito definitivo surgiria entre 20 e 60 dias após o procedimento. Segundo reportagens locais, embora pouco comum em hospitais veterinários de grandes cidades, esse tipo de prática seria relativamente frequente em criadouros e centros de reprodução. Atualmente, não há restrições legais claras na China que impeçam essas intervenções com fins exclusivamente estéticos.

Riscos e sofrimento animal
Veterinários alertam que a operação não é apenas desnecessária, mas também dolorosa para os animais. O Dr. Liu, de Pequim, explicou que além dos riscos da anestesia, a alteração da estrutura natural das orelhas pode levar a problemas físicos e até comportamentais.
Animais submetidos ao procedimento podem desenvolver comportamentos de automutilação, como coçar e arranhar repetidamente as orelhas devido à dor ou ao desconforto. Para muitos especialistas, trata-se de um ato cruel disfarçado de moda.
Reação nas redes sociais
Apesar das críticas, alguns tutores compartilham nas redes sociais imagens de seus gatos e cães com as “orelhas de Mickey”. A prática, porém, tem provocado uma onda de indignação entre internautas. Comentários irônicos e revoltados se multiplicaram: “Se acham tão bonito, deveriam cortar as próprias orelhas assim”, escreveu um usuário.

A situação em outros países
Enquanto na China o debate ainda avança, em países como a França intervenções desse tipo já são proibidas há anos. Um decreto de 2004 vetou cirurgias destinadas apenas a modificar a aparência de animais de companhia, como o corte das orelhas (otectomia), a cauda (caudectomia), a retirada das garras e até a secção das cordas vocais.
Uma questão de ética e bem-estar
O caso levanta mais uma vez a discussão sobre até que ponto é aceitável intervir no corpo de um animal por estética. Especialistas e defensores lembram que práticas desse tipo ignoram o bem-estar animal e reduzem seres vivos a meros acessórios.
Você sabia?
Segundo a World Small Animal Veterinary Association (WSAVA), procedimentos cirúrgicos com fins apenas cosméticos são considerados antiéticos e incompatíveis com o cuidado responsável de cães e gatos.