Em outubro de 2023, a Fundação 30 Millions d’Amis recebeu um pedido de ajuda inusitado: o proprietário de um apartamento social em Sisteron, nos Alpes-de-Haute-Provence (França), relatou que uma inquilina vivia no imóvel com 47 gatos e 2 cães. A situação envolvia também a filha adolescente da mulher e o neto pequeno, que dividiam o espaço apertado com os animais.
Dois investigadores da fundação, Lydia e Jean-Louis, foram até o local e conseguiram que a tutora aceitasse entregar os animais à instituição. Mas a história estava longe de terminar. Pouco tempo depois, a mulher — na casa dos 40 anos e possivelmente acometida pelo chamado síndrome de Noé, caracterizado pelo acúmulo compulsivo de animais — mudou-se para outro endereço, levando parte dos bichos consigo.
Mudanças constantes para despistar

Apesar da superpopulação felina, os gatos estavam em condições relativamente boas, e alguns já haviam sido esterilizados em campanhas anteriores da fundação. Ainda assim, os investigadores precisaram de paciência: dois meses após a primeira abordagem, descobriram que a mulher havia se mudado para Barrême, também na região. Nesse meio tempo, entregou oito gatos a conhecidos.
Não satisfeita, a inquilina fez uma nova mudança, agora para Monieux. Lá, procurou o prefeito pedindo ajuda para conseguir moradia, mas omitiu a informação de que chegava acompanhada de dezenas de gatos. Quando a situação veio à tona, o município interveio: “Entendemos que ela goste de animais, mas não pode acolher tantos. Não é saudável nem para ela, nem para os bichos”, explicou uma funcionária da prefeitura.
Resgate e nova chance
Diante da pressão, a própria tutora entrou em contato novamente com a Fundação 30 Millions d’Amis, que assumiu o resgate de 29 gatos. Do total, 23 foram encaminhados para abrigos parceiros e seis ficaram sob os cuidados da associação Océan de Bonheur. Dois outros foram adotados por conhecidos, enquanto oito continuam com a mulher.
O caso expõe o desafio enfrentado por entidades de proteção animal: equilibrar a compaixão de pessoas que acolhem bichos em excesso com a necessidade de garantir bem-estar animal. Embora movida pelo afeto, a atitude da tutora acabou criando um ambiente insustentável, tanto para os gatos quanto para a própria família.