Em Uganda, a história de Safina Namukwaya, de 70 anos, tem chamado atenção em todo o mundo. Após décadas sendo vista como “amaldiçoada” por não conseguir engravidar, ela desafiou as estatísticas médicas e deu à luz gêmeos — um menino e uma menina — em um hospital de Kampala, capital do país. O médico responsável pelo parto, Dr. Edward Tamale Sali, descreveu o feito como um “extraordinário milagre da ciência”.
Uma vida marcada pelo estigma da infertilidade

Durante boa parte de sua vida, Safina conviveu com o peso cultural de não ter filhos. Em comunidades rurais de Uganda, a infertilidade feminina ainda é associada a crenças de má sorte ou punição divina. Essa marca só começou a mudar há três anos, quando, aos 67, ela teve sua primeira filha graças a um tratamento de fertilização in vitro (FIV). Agora, com a chegada dos gêmeos, sua trajetória ganhou contornos ainda mais simbólicos, mostrando o avanço da medicina reprodutiva em países africanos.
A reação inesperada do marido

Se, para muitos, o nascimento foi motivo de celebração, dentro de casa a situação foi mais delicada. O atual companheiro de Safina, com quem está desde 1996, não compareceu ao hospital no dia do parto. “Talvez ele não tenha ficado contente com a ideia de criar gêmeos nessa idade, por medo das responsabilidades”, comentou Safina. Segundo ela, o marido se afastou ainda durante a gestação e não deu notícias após sua internação.
Ciência e emoção lado a lado
Casos como o de Safina são raros, mas não inéditos. Em 2019, a Indian Council of Medical Research (ICMR) já havia registrado partos bem-sucedidos de mulheres acima dos 70 anos submetidas a FIV. Para os especialistas, esses episódios levantam debates importantes sobre os limites da medicina reprodutiva, mas também sobre a autonomia das mulheres em decidir até quando podem ou querem ser mães.