Quem convive com felinos já se acostumou: basta olhar em volta e lá está ele, esticado no sofá ou enroscado em algum canto da casa, entregue a mais uma longa soneca. Mas afinal, por que os gatos parecem passar metade da vida dormindo? A ciência tem algumas respostas interessantes para essa característica tão marcante.
Um instinto herdado dos ancestrais
Apesar da fama de preguiçosos, os gatos não são exatamente viciados em dormir. Na verdade, eles são animais crepusculares, ou seja, ficam mais ativos no início da manhã e no entardecer. Essa rotina está ligada ao comportamento de suas presas naturais, que também costumam se movimentar nesses horários.
Antes da domesticação, os gatos precisavam caçar nessas janelas de atividade. A caça exige enorme gasto de energia — percorrer grandes distâncias, se esgueirar em silêncio, esperar o momento certo para atacar. Para equilibrar esse esforço, a evolução fez com que descansassem durante boa parte do dia. Mesmo dentro de casa, com ração sempre à disposição, esse padrão continua.
Hoje, em média, um gato dorme cerca de 15 horas por dia, e filhotes ou idosos podem chegar a ultrapassar esse número.
Quando o sono pode ser sinal de alerta
Nem todo excesso de sono é normal. Se um gato adulto saudável passa mais de 16 horas dormindo diariamente, pode ser um sinal de problemas como dor crônica, hipertireoidismo (mais comum em gatos com sobrepeso) ou até de simples tédio.
Por isso, mudanças bruscas nos hábitos de sono devem sempre ser acompanhadas de perto. Consultar um veterinário é essencial para descartar questões médicas e garantir o bem-estar do animal.

O que sonham os gatos?
Grande parte das sonecas felinas é de sono leve, no qual o corpo descansa, mas os sentidos continuam atentos — as orelhas se movem e o nariz reage a cheiros, prontos para qualquer estímulo. Apenas cerca de 25% do sono é profundo, fase em que ocorre o sono REM, o mesmo responsável pelos nossos sonhos.
É nesse momento que o gato pode começar a tremer as patas ou mover as vibrissas em pequenos espasmos. Segundo pesquisadores, isso indica que ele está sonhando — provavelmente revivendo cenas de caça. Mas há também quem defenda que os felinos possam sonhar com seus tutores, já que estudos recentes sugerem que os vínculos emocionais entre gatos e humanos são mais fortes do que imaginávamos.
Dormir: estratégia e afeto
Dormir muito, portanto, é mais do que um hábito felino: é uma estratégia de sobrevivência herdada da vida selvagem. Hoje, dentro de casa, o sono também se tornou um sinal de confiança. Afinal, um gato só fecha os olhos e relaxa completamente quando se sente seguro ao lado de quem ama.
Você sabia?
Segundo a International Cat Care, gatos que vivem em ambientes estimulantes, com brinquedos e espaços para explorar, tendem a dormir melhor e apresentam menos sinais de estresse do que aqueles que levam uma rotina monótona.