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Por que é tão difícil adotar cães como Rottweiler e American Staff?

Stella

Este fim de semana, a SPA de Yvré-L’Évêque, perto do Mans, abriu suas portas para mostrar os 200 cães que aguardam por uma nova família. Entre eles, alguns enfrentam maiores dificuldades para encontrar um lar, especialmente os cães das raças chamadas “categorizadas”, como o Rottweiler e o American Staffordshire Terrier. Essas raças enfrentam uma reputação negativa e uma legislação mais rigorosa, o que dificulta sua adoção.

Os desafios das adoções de cães categorizados

Ramos, um American Staff de 7 anos, é um exemplo claro disso. Ele está esperando uma família há mais de dois anos. Marc Ribémont, chefe de equipe da SPA de Yvré-L’Évêque, comenta que cães como Ramos são, muitas vezes, mais difíceis de adotar. “Ele é um cão incrível, muito carinhoso, adora brincar, mas com outros animais, a convivência pode ser difícil. Sempre enfrentamos um pouco de dificuldade em fazer adoções de cães da segunda categoria, porque a burocracia é maior do que para outros cães,” explica Ribémont.

Além disso, cães categorizados têm uma série de exigências administrativas que os tornam menos atraentes para potenciais adotantes. É preciso usar museleiras e cães com coleiras durante passeios, obter um permissão de posse, e realizar uma avaliação comportamental. Esses requisitos legais fazem com que muitas pessoas se sintam desmotivadas.

O impacto das leis sobre as adoções de cães de raça

Apesar das dificuldades legais, ainda existem apaixonados que, como Stéphanie Le Gall, se dedicam à criação de Rottweilers e American Staffs. Ela compartilha sua experiência: “Eu me apaixonei pelos American Staffs quando era adolescente, mas foi só ao registrar meus cães que percebi que havia muita burocracia envolvida.” Ela detalha as exigências, como ter um registro criminal limpo, passar por um treinamento específico, ter seguro de responsabilidade civil, e realizar uma avaliação comportamental quando o cão atingir 8 meses a 1 ano de idade. Além disso, o animal precisa ser registrado na prefeitura.

A visão dos especialistas sobre a categorização de cães

A categorização de raças de cães é um tema polêmico. Alguns especialistas acreditam que, embora necessário, o sistema de categorização tem suas falhas. Clémentine Duguer, comportamentalista canina, afirma: “É interessante categorizar certos cães, pois alguns realmente podem causar mais danos. Por exemplo, a mandíbula de um pitbull pode ser muito forte, mas não é só a genética que conta.” Ela questiona por que o Rottweiler é categorizado, enquanto o Cane Corso, um cão de porte grande, não é.

Héloïse Girouard, comportamentalista canina, complementa que a criação do cão, seu ambiente e socialização têm muito mais impacto em seu comportamento do que sua raça. “O ambiente em que o cão cresce, a socialização durante os primeiros meses e a maneira como a família o educa são cruciais para o desenvolvimento do comportamento do animal,” afirma ela.

A realidade das mordidas de cães e a categorização

A França registra cerca de 250.000 mordidas de cães anualmente, com o berne alemão e o labrador liderando as estatísticas. Curiosamente, essas raças não são categorizadas, embora sejam responsáveis pela maioria dos incidentes. O fato de o Rottweiler estar em uma categoria separada, enquanto outras raças grandes, como o Cane Corso, não estão, levanta questionamentos sobre a eficácia dessa classificação.

Em resumo, as dificuldades administrativas, a reputação negativa e as exigências legais tornam a adoção de cães como o Rottweiler e o American Staff mais desafiadora. No entanto, com a educação e o acompanhamento adequado, esses cães podem ser excelentes companheiros, e a sociedade precisa repensar as leis e regras para promover adoções responsáveis e conscientes.

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