Meio ambiente

Mais do que ouro de tolo: cientistas descobrem tesouro escondido na pirita

Santiago Ferreira

Uma investigação recente liderada pela West Virginia University explora novas fontes de lítio, como rejeitos de minas e aparas de perfuração, à luz do aumento da procura deste mineral crítico, essencial para baterias de iões de lítio utilizadas em veículos eléctricos e para armazenamento de energia renovável. As descobertas revelam concentrações inesperadamente altas de lítio em minerais de pirita no xisto. Esta descoberta poderá levar a práticas de mineração sustentáveis ​​que não exijam novas minas, enfatizando o potencial das baterias de lítio-enxofre e promovendo a extração de recursos ecologicamente correta.

Há um motivo pelo qual as companhias aéreas não permitem que você coloque seu laptop na bagagem despachada; a bateria de íon de lítio representa um sério risco de incêndio. Mas por que? O lítio é incrivelmente reativo.

Por exemplo, o lítio puro interage violentamente com água aparentemente inócua, liberando calor e formando hidrogênio altamente inflamável. Esta reatividade, no entanto, é exatamente a razão pela qual o lítio é um excelente material para baterias e por que é um mineral crítico para a transição para a energia verde.

As baterias de íon-lítio são amplamente utilizadas em veículos elétricos. Além disso, eles podem armazenar energia produzida por recursos renováveis ​​como solar e eólica.

A crescente demanda por lítio

Nos últimos anos, a procura por lítio disparou. As fontes primárias de lítio, como pegmatitos e argilas vulcânicas, são bem conhecidas, mas seria útil encontrar outros depósitos que sejam seguros e económicos para explorar.

Para esse efeito, uma equipa liderada por investigadores da Universidade de West Virginia está a explorar se as operações industriais anteriores (por exemplo, rejeitos de minas ou aparas de perfuração) poderiam servir como fonte adicional de lítio sem gerar novos resíduos.

Shailee Bhattacharya, geoquímica sedimentar e estudante de doutorado que trabalha com o professor Shikha Sharma no Laboratório IsoBioGeM da West Virginia University, apresentará as descobertas da equipe na próxima semana durante a Assembleia Geral da União Europeia de Geociências (EGU) 2024.

Novas descobertas na extração de lítio

O estudo se concentra em 15 amostras de rochas sedimentares do Devoniano Médio da bacia dos Apalaches, nos EUA. A equipe encontrou bastante lítio em minerais de pirita no xisto, disse Bhattacharya, “o que é inédito”.

Embora a literatura geológica não tivesse informações sobre a interseção entre o lítio e a pirita rica em enxofre, o mundo eletroquímico e da engenharia já começou a analisar como as baterias de lítio-enxofre poderiam substituir as de íon-lítio, disse Bhattacharya. “Estou tentando entender como o lítio e a pirita podem estar associados um ao outro.”

Acontece que o xisto rico em orgânicos pode apresentar potencial para maior recuperação de lítio como resultado dessa curiosa interação entre o lítio e a pirita. No entanto, não se sabe se as observações podem ser extrapoladas para além das amostras do local de estudo atual. “Este é um estudo bem específico”, advertiu Bhattacharya. Mas este trabalho é promissor porque sugere a possibilidade de que certos xistos possam ser uma fonte de lítio que não requer novas minas. “Podemos falar sobre energia sustentável sem usar muitos recursos energéticos”, disse ela.

Sobre
Santiago Ferreira

Santiago Ferreira é o diretor do portal Naturlink e um ardente defensor do ambiente e da conservação da natureza. Com formação académica na área das Ciências Ambientais, Santiago tem dedicado a maior parte da sua carreira profissional à pesquisa e educação ambiental. O seu profundo conhecimento e paixão pelo ambiente levaram-no a assumir a liderança do Naturlink, onde tem sido fundamental na direção da equipa de especialistas, na seleção do conteúdo apresentado e na construção de pontes entre a comunidade online e o mundo natural.

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