Eles estão entre os cães mais populares do mundo, mas também entre os que mais sofrem com problemas de saúde. O sucesso do buldogue francês, hoje um verdadeiro queridinho das famílias, esconde uma realidade preocupante: a raça enfrenta doenças crônicas e dificuldades que levam especialistas a soarem o alarme.
Uma ascensão meteórica na popularidade

Em pouco mais de uma década, o buldogue francês deixou de ser quase desconhecido para ocupar o topo das raças mais registradas em diversos países. Seu porte compacto, o focinho achatado e a expressão considerada “fofa” conquistaram celebridades, influenciadores e famílias urbanas. Mas, por trás do charme, está uma lista de fragilidades físicas que se agrava com o aumento da demanda por filhotes.
Saúde em risco

Como outros cães braquicefálicos — de focinho curto e crânio achatado —, os buldogues franceses enfrentam sérios problemas respiratórios. Após um simples esforço, muitos têm crises de falta de ar, vômitos ou até desmaios. A dificuldade em lidar com o calor é outro ponto crítico, já que eles podem sofrer golpes de calor com facilidade.
Estudos realizados no Reino Unido já haviam mostrado que a raça é altamente suscetível a dermatites de pele. Mais recentemente, pesquisas apontaram que cães braquicefálicos têm até sete vezes mais chances de desenvolver o chamado “olho de cereja”, condição rara que causa uma protuberância avermelhada no canto do olho e pode evoluir para infecções.
Roncos constantes, intolerância a exercícios e necessidade de cirurgias corretivas são queixas comuns entre tutores, reforçando os alertas de entidades como o Royal Veterinary College e a British Veterinary Association (BVA).
O problema dos cruzamentos

O cenário se complica com a intensificação da criação em larga escala e o surgimento de cruzamentos considerados “exóticos”. Um exemplo recente foi o nascimento, na Escócia, de uma ninhada de buldogues franceses sem pelos — resultado de misturas com pugs e cães de crista chineses. A novidade, vendida como curiosidade, gerou forte reação negativa de veterinários, que lembram o quanto esses experimentos aumentam a vulnerabilidade genética dos animais.
Para a BVA, a busca por cães cada vez mais “diferentes” coloca em risco o bem-estar diário das raças já frágeis. “Precisamos que os futuros tutores entendam como esses cruzamentos extremos afetam a qualidade de vida dos cães”, declarou a presidente da associação em entrevista recente.
Entre a moda e a responsabilidade

O crescimento da popularidade do buldogue francês é, segundo especialistas, um reflexo da influência cultural e da estética valorizada nas redes sociais. No entanto, veterinários alertam: se a tendência continuar sem regulamentação e sem conscientização dos tutores, a raça pode se tornar um problema de saúde pública animal.
Quem deseja adotar ou comprar um buldogue francês deve estar ciente dos cuidados extras, das possíveis despesas veterinárias e, sobretudo, da responsabilidade de não incentivar práticas de criação prejudiciais.