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Ficha do Carvalho-português

Nuno Cruz António

Características e ecologia do Carvalho-português ou Carvalho-cerquinho, uma árvore que está no meio caminho entre as espécies de folha caduca e as de folha persistente.

 

 

 

TAXONOMIA

O carvalho português ou cerquinho (Quercus faginea) é uma angiospérmica dicotiledónea, também denominadas folhosas. Pertence à ordem das Fagales, família das Fagáceas, género Quercus, sendo a espécie Quercus faginea.


CARACTERÍSTICAS GERAIS E MORFOLÓGICAS

O carvalho português tem um tamanho médio, não ultrapassando os 20 m de altura. É frequente encontrar indivíduos com um porte arbustivo em solos muito degradados ou quando sujeitos a cortes excessivos dos seus ramos. É uma árvore de folha caduca ainda que esta queda seja tardia sendo, por isso, denominada árvore de folha marcescente.

A sua copa é arredondada, ovada ou elipsoidal, mais ou menos regular, com ramificações e folhagem abundantes e densas. tronco pode ser algo tortuoso, embora seja usualmente direito. Possui uma casca acinzentada ou parda-acinzentada, com muitas gretas pouco profundas nos indivíduos mais velhos.
Os ramos são pardo-avermelhados ou acinzentados, cobertos de pêlos estrelados. As folhas são simples, alternas com estípulas largas e estreitas. São denominadas semi-caducas por se manterem muito tempo na árvore após terem murchado bem como por se conservarem verdes durante o Inverno nos indivíduos mais jovens. O pecíolo é tomentoso e pode ultrapassar os 4 mm. A margem das folhas tem recortes dentados ou ovulados, pouco acentuados. O seu comprimento longitudinal é variável, podendo ir dos 2 aos 11 cm. Têm pêlos acinzentados que acabam por desaparecer, tornando-se verdes e lustrosas. A página inferior é de cor acinzentada e mantém uma pelagem estrelada e simples mesmo nas árvores adultas. O número de nervuras pode ir das 6 às 12.

As flores masculinas existem em grande número e estão dispostas em grupos sobre largos amentilhos pendurados mas pouco firmes. Têm 5 ou 6 sépalas largas e um número variável de estames. As flores femininas são solitárias, estando dentro de uma cúpula com 3 a 6 estiletes. A floração ocorre entre Abril e Maio, usualmente antes da azinheira.

Os frutos são bolotas cilíndricas que nascem em pedúnculos curtos, com uma cúpula de escamas ovais algo proeminentes no dorso. Amadurecem e disseminam-se por Setembro e Outubro.

 

OCORRÊNCIA

Ocorre em Portugal, Espanha e Norte de África. No nosso País é mais comum no Centro e Sul. Em Portugal esta espécie sofreu um grande declínio no século XX, ocorrendo sobretudo em pequenas manchas isoladas.


PREFERÊNCIAS AMBIENTAIS

Têm preferência por climas suaves e quentes, se bem que algumas variedades tolerem bem os climas continentais com grande amplitudes térmicas e de humidade. Dão-se bem em todos os tipos de solos, incluíndo os calcários.
Podem chegar, em altitude, até aos 1900 m. Ocorre muito em povoamentos mistos irregulares com outras espécies do género Quercus, como o Sobreiro e a Azinheira, sendo muito comum hibridar-se com eles, o que dificulta frequentemente a sua identificação.


O CARVALHO PORTUGUÊS NO ECOSSISTEMA

Os carvalhos portugueses ou cerquinhos são árvores de crescimento lento que, de uma forma simplificada, se pode afirmar que ocupam o "espaço ambiental" entre os carvalhos de folha caduca do Norte de Portugal - carvalho roble, carvalho negral - e os de folha persistente do Sul - sobreiro, azinheira. Desempenham um papel importante como espécie estreme de alguns solos bastante degradados e dos calcários, que são limitantes para a maior parte das espécies arbóreas e arbustivas.

 

O facto das suas bolotas amadurecerem antes das da azinheiras, torna-o muito importante como fonte de alimento nas explorações de porco de montanheira, sendo frequentes em montados de azinho. Mas, de um modo geral, as suas folhas e frutos são utilizados como alimento para o gado em períodos de maior carência dos pastos.

Os pequenos núcleos existentes resultam de regeneração natural.

CURIOSIDADES

A madeira do carvalho português é muito boa para a construção, sob a forma de vigas. É igualmente adequada para lenha e carvão.

Vieira Natividade, um dos grandes nomes da Silvicultura portuguesa, escreveu em 1929 um livro sobre esta espécie, de uma forma extremamente virtuosa, realizando previsões para a evolução do coberto florestal neste século que se vieram a constatar e que incluiam a redução da área deste carvalho no nosso país e a sua substituição em parte pelo eucalipto.

O epíteto específico faginea vem do latim fagineus-a-um que significa "parecido com a faia" (género Fagus).

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