A utilização de culturas para a fauna na gestão de vertebrados terrestres

Luís Miguel Reino
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A gestão do habitat de espécies animais de elevada importância de conservação e económica, é um instrumento fundamental de ordenamento. Nesta apresentação das culturas para a fauna, encontrará um conjunto de medidas e sugestões práticas importantes.

Uma gestão activa da fauna é frequentemente necessária para o fomento e conservação de muitas populações animais. A utilização de culturas para a fauna, que visem precisamente o incremento de espécies-alvo através de melhoria do habitat, tem sido uma prática frequentemente utilizada em muitos países. Todavia, os efeitos reais destas medidas de gestão na demografia e ecologia das populações são muitas vezes pouco conhecidos, ainda que seja normalmente aceite que a utilização deste tipo de medidas é largamente benéfica para a fauna em geral e para a actividade cinegética em particular, a qual é normalmente quem proporciona o incentivo económico para a implementação deste tipo de acções de ordenamento.


A instalação de culturas para a fauna pretende ser uma medida de gestão e de manipulação do habitat com vista à melhoria das seguintes características:

i) harmonização dos diferentes usos do solo com os requisitos ecológicos das espécies que se pretende gerir;

ii) aumento da qualidade e quantidade dos recursos de abrigo e alimento;

iii) melhoria do habitat de reprodução, com o objectivo de aumentar a densidade de casais reprodutores, a natalidade e o êxito reprodutor.

Por exemplo, ao nível da disponibilidade alimentar as culturas para a fauna actuam normalmente de duas maneiras distintas:

- Fornecendo directamente alimento através das partes verdes, grãos, frutos, raízes e sementes nas épocas mais críticas do ano que, no caso dos ecossistemas mediterrânicos, são sobretudo a Primavera e o Verão.

- Proporcionando indirectamente alimento através dos invertebrados (sobretudo para a alimentação dos juvenis) e plantas infestantes associadas às culturas.


Regras básicas para instalação das parcelas

A superfície a ocupar pelas culturas para a fauna é variável. Por exemplo, para a perdiz-vermelha Alectoris rufa, a área a ocupar pelas culturas para a fauna pode ir até aos 20% da área total gerida. Deverá proporcionar recursos adicionais às espécies que se pretendem gerir, recursos esses que são limitantes.

A sua repartição é fundamental e, porventura, mais importante que a sua área total. Sempre que possível, as culturas para a fauna devem ser rectangulares ou lineares por forma, a maximizar o efeito de orla entre diferentes meios (na orla os animais têm acesso a recursos disponíveis nos diferentes meios que esta separa), devendo também ser intercaladas. A largura das parcelas não deve exceder os 100 metros para os ungulados e os 50 m para as aves e os demais mamíferos. Regra geral, quanto menor for a dimensão da espécie a gerir, mais estreitas devem ser as parcelas de culturas. A forma como são dispostas no terreno também deve ter em consideração a densidade e o tamanho médio dos territórios.

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