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Bactérias sub-glaciares

Sara Otero (Ano 2000)

Uma equipa de investigadores descobriu que as bactérias sub-glaciares podem ter contribuído para a promoção das mudanças climáticas entre as idades do gelo e inter glaciares.

Era já conhecido que existem bactérias sob os glaciares. No entanto, até ao presente, tinha sido assumido que estas comunidades de microrganismos estavam mortas ou se encontravam em dormência. Agora, uma equipa de investigadores da Universidade de Alberta, em Edmonton, descobriu que estas bactérias sub-glaciares desenvolvem-se nessas condições de frio e escuridão.
Estas bactérias encontram-se na proximidade da fina camada de água em estado líquido que se forma debaixo de vários glaciares, devido ao calor geotérmico e à fricção que nessa camada se faz sentir. Essas condições poderão ter sido comuns em vários glaciares durante as idades do gelo e, portanto, poderão ter existido extensas comunidades sub-glaciares de microrganismos durante esses períodos. 
 
 
Amostras de gelo e outros registos indicam que os níveis de gases de estufa , como o dióxido de carbono e o metano, diminuíram durante as idades do gelo, enquanto a terra perdia a sua vegetação. Os investigadores assumiram que todo esse carbono tinha sido retido pelo oceano, mas registos de isótopos em sedimentos oceânicos sugerem que, na realidade, o armazenamento desse carbono no oceano foi menor do que à partida se suponha. Assim, o carbono que faltava poderia ter ficado armazenado debaixo de glaciares, em vegetação morta e no solo. Os microorganismos sub-glaciares ao degradarem esta matéria orgânica durante as idades do gelo, poderão ter convertido esse carbono em CO2 e, possivelmente, metano. Quando o clima começou a aquecer, os glaciares começaram a derreter e a libertar estes gases para a atmosfera, promovendo a mudança climática. Portanto, estas comunidades de microrganismos poderão ter tido um impacto importante no nosso clima durante as transições entre as idades do gelo e inter glaciares.

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