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Insectos, plantas e jardins

Sara Otero

Alguns insectos e outros invertebrados que se associam às plantas de jardim ou de interior podem constituir verdadeiras pragas, no entanto, muitos deles são benéficos, podendo tornar-se um aliado precioso para a saúde das suas plantas.

 

As plantas ornamentais são um elemento enriquecedor do nosso ambiente diário, melhorando-o e tornando-o mais aprazível. Flores, arbustos e árvores, embelezam os nossos jardins e parques, enquanto as plantas de interior tornam o ambiente que as envolve mais agradável.

Se tem como passatempo cuidar das suas plantas, mais cedo ou mais tarde irá ser confrontado com insectos que poderão arruiná-las e anular completamente o seu esforço e trabalho.

No entanto, nem todos os insectos são prejudiciais, existindo um grande número de insectos considerados benéficos. Predadores, parasitas e polinizadores, são os exemplos dos insectos benéficos mais importantes. Assim, aprender a identificar os insectos prejudiciais é o primeiro passo a dar para uma gestão efectiva das pragas.

Denote-se que a gestão das pragas de insectos usando os seus inimigos naturais é um dos métodos mais antigos e bem sucedidos utilizado pelo homem no controlo de pragas. Os insectos benéficos são inofensivos para as pessoas, plantas e animais. Jardineiros profissionais e agricultores utilizam insectos benéficos como a sua primeira forma de controlo de pragas.

 
Portanto, não pulverize insectos a menos que observe e existência de uma praga, a identifique e saiba qual o seu ciclo de vida. A identificação positiva dos insectos é extremamente importante, sendo igualmente importante a identificação dos seus diferentes estágios de desenvolvimento. Por exemplo, a maioria das pessoas reconhece a forma adulta da joaninha, mas não identifica com facilidade este insecto benéfico na forma larvar. Infelizmente, as larvas pouco têm a ver com a forma adulta e são mortas, pensando-se que são nocivas para as plantas.

Por outro lado, os resíduos dos pesticidas poderão diminuir a segurança dos alimentos na altura da sua colheita. Além de ambientalmente indesejável, a utilização dos pesticidas torna o contacto com as suas plantas menos seguro, particularmente se frequentarem o seu jardim animais e crianças.

Se a população de insectos benéficos for elevada, estes alimentar-se-ão de outros insectos prejudiciais às plantas. Caso estes insectos prejudiciais deixem de existir, os insectos benéficos irão à procura de outros locais. Assim, antes de pensar utilizar um insecticida pense que nem todos os insectos são prejudiciais. Cabe-nos a todos, colectivamente, decidir como deveremos proceder individualmente nesta pequena grande cruzada. De facto, diversas pragas desenvolveram imunidade a controlos químicos, de modo que estes controles biológicos são muitas vezes a melhor solução.

Algumas medidas que poderão ser tomadas para combater os insectos prejudiciais são:

-Utilização, sempre que possível, de variedades resistentes de árvores e arbustos.

-Manutenção do jardim limpo depois de cada estação de crescimento, garantindo a remoção de ramos secos ou cepos, que providenciam um óptimo local para o desenvolvimento de certos insectos prejudiciais.

 

-Descarga do lixo proveniente do seu jardim num local afastado, ou utilização da pilha de compostagem onde as elevadas temperaturas derivadas da decomposição matarão os insectos prejudiciais.

-O cultivo de certas plantas como o alho e a hortelã, juntamente com o tomate, ou outras plantas susceptíveis, desencorajará as pragas do jardim que são atraídas pelo cheiro.

- Certos animais, como as aranhas, que vulgarmente são desencorajados de permanecer no jardim, poderão revelar-se bastante úteis. As formigas poderão ser incómodas para as raízes de certas plantas, mas definitivamente poderão ser benéficas para o seu jardim porque predam outros insectos.

Outro exemplo de insecto benéfico é a lindíssima libélula. Tanto os adultos como as ninfas destes insectos são predadores activos de vários insectos, especialmente mosquitos. Esta espécie passa a maioria do tempo junto de locais com água, que são também os locais de postura dos mosquitos.

Voltando às joaninhas, a maioria é considerada um predador de insectos extremamente valioso. Alimentam-se de afídeos e, consequentemente, destruindo as joaninhas a população de afídeos aumentará.

 

Outra alternativa poderá ser a utilização de armadilhas com feromonas ou substancias sexualmente atractivas que servem de isco para os insectos. Estas armadilhas irão atrair os machos, reduzindo as hipóteses de acasalamento.

Como nota refira-se que as armadilhas electrificadas de uso vulgar não são selectivas, podendo prejudicar fortemente as populações de insectos benéficos.

 

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