Anfíbios: uma vida dupla de adoração e discriminação

Filipa Martins
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SABIA QUE…

O símbolo hieroglífico egípcio para "cem mil" tem a forma de um girino, pois muitas espécies de anfíbios são capazes de produzir milhares de ovos por postura, de onde eclodem pequenos seres, cabeçudos, com forma de peixe e sem membros, denominados de girinos.

Engolir sapos é uma expressão que vem dos antigos romanos, que muitas vezes sentiam-se contrariados frente às ordens de César.

A Rã não é a fêmea do Sapo. Embora sejam os dois anuros (anfíbios sem cauda), são animais distintos. De grosso modo, os sapos são mais gordos, com patas mais curtas, que se deslocam lentamente, têm a pele mais rugosa e coberta de verrugas, e levam uma vida mais terrestre, enquanto as rãs são mais esguias e aquáticas.

Após sobreviveram 360 milhões de anos, um terço a metade dos anfíbios poderá estar extinta nas próximas décadas, e que provavelmente será a maior extinção em massa de espécies animais desde os dinossauros.

Os anfíbios são controladores naturais de pestes, sendo um benéfico colaborador para os agricultores bem como um activo defensor da saúde humana pois, ao caçar insectos e outros animais nocivos, está a aumentando a produtividade agrícola e a reduzir a propagação de doenças, como a malária, transmitida por mosquitos, ou a Leptospirose, bactéria transmitida ao homem pela urina de ratos que pode ser mortal.

Os anfíbios contribuem para o delicado equilíbrio da natureza, desempenhando um importante papel nos ecossistemas tanto como predador como presa e, como tal, o seu desaparecimento conduzirá a perdas no conforto humano e qualidade de vida, já para não falar nas funções do próprio ecossistema.

As secreções da pele dos anfíbios têm propriedades anti-sépticas e desinfectantes, que conseguem matar micróbios e vírus, oferecendo promissoras curas médicas para uma variedade de doenças, incluindo o HIV.

Os anfíbios são excelentes indicadores de qualidade ambiental. Por terem uma pele altamente permeável são particularmente sensíveis a contaminantes ambientais, que entram facilmente e de forma directa no corpo, tornando-os assim importantes sentinelas para potenciais ameaças ao Homem.

Apesar de tudo, por mais estranho que pareça, ainda continuam a ser considerados animais nojentos e diabólicos, sendo muitas vezes perseguidos e assassinados (literalmente) a sangue frio. E diz o sapo Cocas com toda razão, “Não é fácil ser verde”.

 

Um dia mudamos mentalidades… Talvez seja hoje!

 

BIBLIOGRAFIA

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