A Natureza, os Artistas e os Outros

Maria Júdice Borralho
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Na realidade espacial da tela a imobilidade é só aparente. A mão que criou os seres que a habitam obedeceu a sentimentos tumultuosos, ousados. Talvez por isso, o fascínio da ficção visual impele o espectador para dentro do quadro e nesse momento artistas e saloios agitam-se, ganham vida.

Agradados com o trabalho dos artistas, as crianças, o velho e a rapariga, assistem aos primeiros passos de um trabalho inovador. Por que motivo Cristino da Silva concede este privilégio ao grupo dos camponeses?. Também eles mantêm com a Natureza uma relação muito particular. Serão eles os espectadores ideais?

Só há duas palavras para classificar o comportamento do Homem na sua relação com a Natureza: bom e mau. Quem não é pela Natureza é contra a Natureza. Edgar Morin, com a lucidez que o caracteriza afirma: escritores e poetas efectuam a maternização da Terra. Ao invés técnicos e cientistas efectuam a coisificação da Terra, constituída por objectos a manipular sem piedade. Os gregos terão inventado o mito de Orfeu para os nossos dias?

Os que obstinadamente caminham pela via do erro e, por ambições dementes, mantêm uma relação interesseira com a Natureza, saibam que Orfeu, tocou a lira com tanta doçura que os animais selvagens foram domados pela mão que tangia as cordas.

 

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