Na Primavera, um breve apontamento sobre a Beleza

Maria Júdice Borralho
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Curiosamente os poemas têm o mesmo título: DECLARAÇÃO DE AMOR
Há quem defenda que um poema vale pela magia das últimas palavras. A árvore e a estátua inspiraram os seguintes finais:

É através de ti, ó árvore, que celebro os esponsais entre mim e a Natureza.
É através de ti que bebo a nuvem fresca e mordo a terra ardente
É de ti que recebo as leis do Amor e da Beleza.
Amo-te ó árvore, apaixonadamente!

e

Não te importas mulher deixa-te estar
não penses não te mexas podes estar certa
de que me deste mais do que tudo o demais que me pudesses dar
pois para ser diferente de quem era
bastou-me ver teu rosto e mais que ver olhar

A árvore de António Gedeão estará a viver mais uma Primavera, arrepia pensar que alguém poderá ter tido a ousadia de cortá-la. A estátua da bela romana decerto continua a fascinar muitos visitantes no museu onde se encontra. Mas a incómoda pergunta persiste: que é afinal a BELEZA?

Será o coração recto e puro dos homens o templo da BELEZA?

No plano geográfico o ser humano percorre quilómetros viajando de um espaço para outro, no plano pessoal, a viagem dirige-se sempre para o interior de cada um, para aquele lugar onde a plenitude e a pacificação do Eu são possíveis.Uns estarão perto do santuário, outros, ainda longe, mas o importante é ter iniciado a peregrinação.

(1) Jorge Luís Borges
(2) António Gedeão
(3) Karl Popper

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