As Artes num Jardim

Cecília Martins, ARTLINK
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Descendo em direcção à estufa, sucedem-se pequenos jardins. O dos óleos traz-nos o linho, a alfazema, o rosmaninho, o girassol e a papoila. As suas sementes eram prensadas para obter óleos diversos, usados de acordo com o efeito pretendido: o óleo de papoila, espessante, para realçar as pinceladas (foi por isso muito empregue pelos impressionistas); ou, com a finalidade oposta, o óleo de linhaça, extraído das sementes do linho, que é o mais utilizado e que confere fluidez às pinceladas e permite diluir o pigmento do modo uniforme. Um pouco mais abaixo, no Jardim das Telas, o linho volta a estar presente, ao lado do algodão, duas espécies fibrosas muito utilizadas para construir as telas. De uso mais raro, o cânhamo foi também incluído aqui pois, devido ao comprimento da sua fibra, permitia suster as telas antigas de grandes dimensões.

Perpendicular a estes pequenos jardins está outro grande núcleo d’ O Chão das Artes. É o Pomar das Gomas, formado sobretudo por espécies frutíferas: cerejeiras, amendoeiras e pessegueiros, às quais os artistas recorriam para obter a goma necessária a diversas técnicas de pintura, perante a dificuldade em encontrar goma arábica.

Seguindo não a via dos materiais, mas a da influência da natureza sobre as obras pictóricas, encontramos o Jardim dos Pintores. Esta área é a mais rotativa de todas (as espécies são anuais e bianuais) e destina-se a reconstituir ambientes naturais que marcaram o imaginário de nomes de diferentes períodos da História da Arte. Para já, foi escolhido o pintor impressionista Claude Monet (1840-1926), de quem se evocam os jogos de cor, através de dálias, girassóis e amores-perfeitos.

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