Estudo: Distribuição geográfica das ameaças compromete o futuro da diversidade de anfíbios

Filipa Alves (21-11-2011)
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O trabalho coordenado por um investigador do CIBIO revela que as áreas de ocorrência geográfica de duas das três maiores ameaças à sobrevivência dos Anfíbios, as Alterações Climáticas e a alteração dos usos do solo, sobrepõem-se, e que a maioria das zonas de maior diversidade específica destes Vertebrados, que são os mais ameaçados, serão afetadas por, pelo menos, um dos grandes factores de ameaça.

Foi recentemente publicado na revista Nature, um artigo que compara os padrões geográficos de espécies de anfíbios em risco e dos principais fatores de ameaça.

Fruto de uma investigação coordenada pelo investigador Miguel Araújo, do CIBIO, Universidade de Évora e que envolveu a colaboração com cientistas estrangeiros, o estudo revela dados alarmantes sobre a situação atual e futura da diversidade global de Anfíbios.

Este grupo que, apresentando 30% das espécies em risco, é a classe de vertebrados mais ameaçada, está a sofrer um declínio muito acentuado identificando-se três ameaças principais: as Alterações Climáticas, a alteração dos usos do solo, e a quitridiomicose, uma doença fúngica.

O trabalho recém-publicado revelou que as áreas onde os anfíbios são mais afetados pelas Alterações Climáticas e pela alteração dos usos do solo sobrepõem-se, o que não se verifica com a área de atuação da quitridiomicose.

Adicionalmente, os investigadores descobriram que as zonas afetadas pelos três fatores de ameaça coincidem com as áreas geográficas mais ricas.

Com efeito, segundo Miguel Araújo “O nosso estudo mostra que mais de dois terços dos hostpots de Biodiversidade de anfíbios a nível global serão provavelmente fortemente afetados por pelo menos uma das três ameaças estudadas”.

E Carstenb Rahbek, coautor do estudo desenvolve “O nosso estudo mostra que o declínio dos Anfíbios irá certamente acelerar nas próximas décadas, uma vez que as múltiplas causas de extinção podem colocar as suas população em risco, muito mais do que estudo de análise monocausal sugeriram”.

Deste modo, os autores do artigo agora publicado defendem haver “a necessidade de ser feita mais investigação em conservação e [de] serem tomadas mais ações para preservar este grupo grandemente em risco”.

 

*Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico*

Fonte: CIBIO – CI

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