Os endemismos e a conservação da biodiversidade

Júlia Almeida
Imprimir
Texto A A A

As espécies que ocorrem numa área muito restrita são encaradas de forma particular. A sua vulnerabilidade quase intrínseca, torna-as uma referência obrigatória quando se traçam linhas de acção para conservar a biodiversidade.

 

As espécies endémicas são aquelas vulgarmente entendidas como "não se encontrando em nenhum outro lado". Ou seja, são organismos com uma distribuição limitada a habitats especializados, nativos de uma área geográfica restrita. Podem no entanto ser espécies com distribuição limitada a áreas muito alargadas, como um continente, ou a áreas muito reduzidas, como o topo de uma montanha.

Os endemismos ocorrem em áreas de alguma forma isoladas e resultam da separação de populações de uma dada espécie, que deixam de se cruzar e, continuando a reproduzir-se, evoluem separadamente. Neste processo, podem mesmo vir a dar origem a espécies distintas. Assim, os endemismos são o produto final da actuação de mecanismos de isolamento, que podem ser geográficos (como por exemplo alterações do nível das águas do mar, formação de cadeias montanhosas) ou comportamentais (por exemplo populações que apresentam épocas de acasalamento ou padrões de acasalamento distintos). A ocorrência de endemismos depende por isso da mobilidade dos organismos e como tal verifica-se em número mais elevado nos grupos de mobilidade mais restrita, como as plantas ou os peixes de água doce, do que nas aves ou mamíferos.

A ocorrência de endemismos é condicionada por diversos factores como o clima, a disponibilidade alimentar, interaccções específicas e a estabilidade geral do ambiente.

Pode-se constatar que a biodiversidade não se distribui ao acaso ou de forma homogénea pelo nosso planeta. Nos ecossistemas terrestres, verificam-se algumas regras gerais: as zonas mais quentes suportam mais espécies que as frias; as zonas húmidas mais do que as secas; as áreas com menor sazonalidade mais do que aquelas com acentuda diferença de estações; as áreas com maior diversidade topográfica e climatérica também mais do que as áreas muito uniformes. Globalmente, verifica-se uma tendência para a diminuição do número de espécies com o aumento da latitude e uma tendência para a ocorrência de maior diversidade nos ecossistemas florestais do que em qualquer outro ecossistema terrestre. Daqui resulta que as florestas húmidas tropicais são reconhecidas como o ecossistema terrestre com maior diversidade bológica. Mas os padrões de distribuição das espécies actualmente observados, para além das condições ecológicas vigentes, resultam ainda da história evolutiva das próprias espécies e de todo o historial da influência humana.


(Armeria pseudoarmeria)

Fotografias de José Romão

A região mediterrânica realça no contexto europeu, ao apresentar níveis excepcionalmente elevados de endemismo. A região é recortada em numerosos isolados biológicos em ilhas, penínsulas e cadeias montanhosas sendo os répteis e os anfíbios os grupos com maior percentagem de espécies endémicas.


Comentários

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Newsletter