Embora sejam reconhecidos alguns efeitos benéficos dos alho, as vantagens para a saúde continuam a ser uma área controversa. As evidências são ainda insuficientes para recomendar o consumo como uma terapêutica clínica de rotina e considera-se que existe ainda muita especulação em torno dos poderes misteriosos desta planta. Existem mesmo estudos que afirmam que não existem dados suficientes para retirar conclusões, ou que o alho não exerce qualquer tipo de efeito nas doenças cardiovasculares, nomeadamente na diminuição da pressão sanguínea, dos níveis de colesterol e na redução do risco de desenvolvimento de tumores. Foram mesmo reportados diversos efeitos adversos do consumo de alho, incluindo náuseas, dermatites, sangramentos, sintomas abdominais e flatulência.
Mas mesmo com a falta de unanimidade entre a comunidade científica, o que é facto é que os adeptos deste produto aumentam. Por exemplo, na Alemanha, grande parte dos adultos tomam diariamente um suplemento de alho para promover a saúde. Para tentar evitar os odores desagradáveis, existem no mercado comprimidos e cápsulas sem odor, pois contêm aliína, que só no corpo é transformada em alicina. Quanto às doses recomendadas, as opiniões estão longe de ser concordantes. Os óleos de alho são também uma opção. Eles constituem os mais antigos preparados e foram comercializados, pela primeira vez, há mais de 70 anos, muito antes de se terem caracterizado os seus constituintes e respectivos efeitos.
Mas mesmo com toda a controvérsia, se o alho tivesse sido criado num laboratório em vez de ser um produto da natureza, provavelmente seria uma droga frequentemente prescrita e de elevado preço.
Bibliografia
Agarwal KC. (1996). Therapeutic actions of garlic constituents. Med Res Rev. 16(1):111-124.
Barrie S., Wright J. e Pizzorno J. (1987). Effects of garlic oil on platelet aggregation, serum lipids and blood pressure in humans. J Orthomol Med. 2: 15-21.
Dausch JG e Nixon DW. (1990). Garlic: a review of its relationship to malignant disease. Prev Med. 19(3):346-361.
Guo NL, Lu DP, Woods GL, Reed E, Zhou GZ, Zhang LB e Waldman RH. (1993). Demonstration of the anti-viral activity of garlic extract against human cytomegalovirus in vitro. Chin Med J (Engl). 106(2):93-96.
Harenberg J., Giese C. e Zimmermann R. (1988). Effect of dried garlic on blood coagulation, fibrinolysis, platelet aggregation and serum cholesterol levels in patients with hyperlipoproteinemia. Atherosclerosis. 74: 247-249.
Hughes BG e Lawson LD. (1991). Antimicrobial effects of Allium sativum L. (garlic), Allium ampeloprasum L. (elephant garlic) and Allium cepa L. (onion), garlic compounds and commercial garlic supplement products. Phytother Res. 5:154-158.
Mei, X. (1982). Garlic and gastric cancer: the influence of garlic on the level of nitrate and nitrite in gastric juice. Acta Nutr Sin. 4: 53-56.
Ledezma E, DeSousa L, Jorquera A, Sanchez J, Lander A e Rodriguez E. (1996). Efficacy of ajoene, an organosulphur derived from garlic, in the short-term therapy of tinea pedis. Mycoses. 39(9-10):393-395.
Raloff, J. (1997). Aged garlic may slow prostate cancer. Science News 151: 239.
Reuter HD. (1995). Allium sativum and Allium ursinum: Part 2. Pharmacology and medical applications. Phytomedicine. 2(1):73-91.
Silagy CA e Neil HA. (1994). A meta-analysis of the effect of garlic on blood pressure. J Hypertens. 12(4):463-468.
Warshafsky S, Kamer RS, Sivak SL. (1993). Effect of garlic on total serum cholesterol. A meta-analysis. Ann Intern Med. 119:599-605.
Documentos Recomendados
A sopa em Portugal e as sopas de plantas silvestres alimentares
Inovação das Tradições Alimentares