Os misteriosos poderes do alho

Maria Carlos Reis
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Apesar de ser indiscutível o interesse suscitado por esta planta, as suas aplicações foram tendo objectivos diferentes e a sua popularidade não foi constante. Ao longo dos tempos, e em diferentes períodos, ela foi usada pelas suas propriedades regenerativa, antigripal, estimulante circulatória, purificadora do sangue, antibiótica, vermífuga e até afrodisíaca. No entanto, foi também utilizado como antídoto contra mordeduras de cobra e no tratamento de mordeduras de cães e ratos, como tratamento de problemas digestivos, para expulsar parasitas intestinais e para bochechar contra dores de dentes. Na idade média foi usado na Europa Central como remédio contra a surdez e lepra e no século XVII como prevenção da peste bubónica. Durante a II Guerra Mundial, os soldados russos faziam-se acompanhar por dentes de alho que esmagavam nos bordos das feridas, para evitar possíveis infecções. Os próprios médicos de campanha utilizavam uma pasta de alho para tratar os ferimentos infectados dos soldados, especialmente como protecção contra gangrenas e sepsia. No entanto, esta utilização do alho foi sendo abandonada à medida que se descobriam “drogas milagrosas”, como a penicilina.

Mas o alho nunca deixou de ser utilizado e uma nova área de investigação nasceu em torno deste bolbo nas duas últimas décadas, multiplicando-se os trabalhos a um ritmo impressionante, acompanhando o consumo crescente.

Os consumidores diários do alho garantem que este produto natural possui um misterioso poder. São comuns descrições das suas potencialidades no tratamento de problemas respiratórios, dores de ouvidos, de cabeça e de estômago, congestão, diarreia, disenteria, arteriosclerose, hipertensão, reumatismo, gota, parasitas intestinais, tosse convulsa, úlceras, mordeduras de cobras, como afrodisíaco, tendo, ainda, como efeito último, a promoção da longevidade, retardando o envelhecimento. Grande parte desta panóplia de utilizações não possui qualquer credibilidade científica, mas para outras existem já algumas evidências de confirmação.

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