As nuvens têm acompanhado a existência do nosso planeta desde a sua formação, mas apenas no início do sec. XIX é que os Homens se debruçaram sobre a sua classificação. A terminologia que ainda hoje utilizamos, baseia-se na proposta em 1803 pelo cientista inglês Luke Howard. Pelo facto das nuvens serem estruturas altamente dinâmicas que podem apresentar formas intermédias, mesmo com regras de classificação bastante claras, a atribuição de um determinado epíteto nem sempre é fácil.
A terminologia utilizada para distinguir as nuvens assenta fundamentalmente em dois critérios: a forma e a altitude. Quanto à forma, as nuvens dividem-se entre as Cumuliformes, que fazem lembrar algodão e as Estratiformes que se apresentam sob a forma de uma camada. Quanto à altitude, classificam-se as nuvens a cima dos 5000m como cirros e para tal associa-se ao restante nome o prefixo "cirro". Para as nuvens situadas entre os 5000 e os 2000 metros, acrescenta-se o prefixo "alto". Às nuvens baixas não se acrescenta qualquer prefixo. A estas designações pode ainda somar-se uma adjectivação mais completa, também com origem no latim, e que descreve aspectos particulares da forma ou da dimensão das nuvens. Através da conjugação, destes termos podem designar-se cerca de três dezenas de tipos diferentes de nuvens, mas as mais vulgares, começando de baixo para cima são os Cumulonimbus, Cúmulos, Estratos, Estratocúmulos, Altoestratus, Altocúmulos, Cirroestratus, Cirrocúmulos e Cirros. As nuvens cumuliformes assinalam frequentemente tempo instável com aguaceiros. As nuvens estratiformes, decorrem muitas vezes da aproximação de uma superfície frontal, e por consequência anunciam uma viragem do estado do tempo, muitas vezes para regimes de pluviosidade intensa.
Em comum a todas estas nuvens, há o facto de mais tarde ou mais cedo, acabarem por desaparecer de uma de duas maneiras: ou se dissipam, o que significa que a água volta por acção da temperatura novamente ao estado gasoso, ou se precipitam, dando origem a chuva, granizo ou neve. Este último é o cenário que decorre do aumento do tamanho das partículas de água que a constituem. Uma gutícula de água numa nuvem tem em média 0,02mm, que é uma dimensão tão ínfima que lhe permite que, por acção do atrito e das correntes ascendentes, se encontre suspensa. No entanto, se no seio da nuvem houver turbulência, as gutículas colidem umas com as outras dando origem a gutículas maiores, que podem ir dos 0,5 aos 6,35mm e que forçosamente se precipitam por acção da gravidade. A natureza dessa precipitação, água, gelo ou neve, vai depender da temperatura dentro e fora da nuvem.
Para alem de serem responsáveis pela precipitação, as nuvens protagonizam ainda outro fenómeno atmosférico ímpar: as trovoadas. Apesar da trovoadas acontecerem muito frequentemente (em cada momento existem entre 1500 e 2000 tempestades activas no globo, que produzem mais de 100 raios por segundo e que apenas nos Estados Unidos da América vitimam todos anos cerca de 100 pessoas), a maneira como estas se processam ainda não foi completamente decifrada. Desde as primeiras experiências do cientista americano Benjamim Franklin, no sec. XIX até aos dias de hoje, ficámos a saber que as trovoadas se devem a diferenças de polaridade dentro das nuvens, mas continua a ser surpreendente a força resultante dessas trocas eléctricas. Um raio, que pode ter um comprimento de 30 Km, viaja a 96 000 Km por segundo e pode atingir uma temperatura de 30 000º C, ou seja cinco vezes mais quente que a superfície do Sol.

Para além das suas implicações de carácter meteorológico, as nuvens acrescentam frequentemente à paisagem uma inegável valia estética e contribuem de forma ímpar para enriquecer o imaginário cultural e onírico de muitos. Quantos de nós não nos detivemos já a encontrar nas nuvens formas familiares? A isso chama-se "nephelococcigia".
As nuvens constituem ainda um aspecto visível de uma atmosfera em permanente movimento, e nessa medida são auxiliares importantíssimos na previsão tempo. Mesmo assim, os seus caprichos não cessam de nos recordar a nossa verdadeira dimensão.