Ambiente e Pobreza

Isabel Abreu
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Apesar dos países pobres não terem de reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa no âmbito do Protocolo de Quioto, muitos têm vindo a investir em projectos de tecnologias limpas, movidos pela importância da qualidade ambiental na redução da pobreza. São disso exemplo a Índia e o Brasil que têm investido em combustíveis alternativos com o biodisel e na utilização de fontes de energia renováveis.


Figura 7 – Forno solar numa aldeia rural da Índia (Fonte: http://www.renewingindia.org)

A utilização de fornos solares em muitas aldeias rurais permite abandonar a queima de biomassa no interior das habitações, responsável por muitos problemas respiratórios.


Considerações finais

A redução da pobreza passa pela tomada de medidas, quer a nível dos países ricos, quer a nível dos próprios países pobres. No primeiro caso, indica-se a título de exemplo, como possíveis medidas a redução de subsídios e taxas que destroiem a economia dos países mais pobres, bem como a ajuda económica e a transferência de tecnologia limpa.

A crescente globalização e a possibilidade dos países industrializados adquirirem produtos e recorrerem a mão de obra de países pobres, requer um esforço por parte das empresas dos países industrializados para a implementação de uma política de responsabilidade social que vise a protecção dos recursos naturais e a melhoria da qualidade de vida das populações pobres.

A nível individual, todos temos um papel importante na redução da pobreza mundial. Podemos optar pela aquisição de produtos de países pobres através de cadeias de comércio justo que garantam uma remuneração correcta aos produtores permitindo assegurar as condições de vida necessárias e a protecção dos recursos naturais locais.

Além disso, ao reduzirmos a nossa contribuição para as alterações climáticas que tanto afectam a agricultura e as pescas estamos a contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população mais pobre que depende destas actividades. Neste sentido, é muito importante a redução do consumo de electricidade, do uso do carro e a reciclagem dos resíduos.

A nível dos países pobres, será necessário maior integração da relação ambiente/pobreza nos programas de desenvolvimento locais, nomeadamente através do investimento em práticas sustentáveis de agricultura, pescas e exploração de florestas. A educação da população constitui um elemento importante na redução das taxas elevadas de natalidade e das doenças, conduzindo a uma população mais forte e mais apta a conseguir melhores empregos de forma a vencer o ciclo da pobreza.

Ideias para a erradicação da pobreza têm surgido dos mais variados campos. Por exemplo, a nível do financiamento dos mais pobres com dificuldade em aceder aos bancos comerciais, o microcrédito tem vindo a revelar-se bastante útil na melhoria do nível de vida da população dos países mais pobres.

A utilização de organismos geneticamente modificados, nomeadamente, sementes de grande produtividade, adaptadas a secas, requerendo poucos fertilizantes, pesticidas e maquinaria, também poderá ser importante na redução da pobreza.

Referências bibliográficas

UNICEF - United Nations Children’s Fund - Progressos para as crianças – um relatório sobre água e saneamento. Setembro 2006.

WHO - World Health Organization. Inheriting the World:The Atlas of Children's Health and the Environment. 2004.

WRI - World Resources Institute. World Resources 2005 -- The Wealth of the Poor: Managing Ecosystems to Fight Poverty. Outubro 2006.

WWF - World Wildlife Foundation – Países Ricos, Água Pobre. Agosto 2006

Sites de interesse

Programa das Nações Unidas para a Pobreza e Ambiente

Banco Mundial para o Desenvolvimento

 

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