Análise do Ciclo de Vida do Produto - instrumento de Gestão Ambiental

Rita Teixeira d’Azevedo
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A Análise do Ciclo de Vida do Produto traduz-se na aceitação voluntária, por parte dos fabricantes, da responsabilidade do impacte ambiental desses materiais durante todo o ciclo de vida, desde a sua concepção/design até ao destino final.

A Análise do Ciclo de Vida do Produto (ACV) consiste em analisar de forma sistemática os impactes ambientais dos produtos (qualquer alteração no Ambiente, tanto adversa como benéfica, global ou parcialmente resultante do produto) em todas as fases do seu ciclo de vida, desde a extracção ou síntese das matérias-primas/recursos naturais, passando pela produção, transporte, utilização e destino final dos produtos.

Deve ser vista como instrumento de gestão ambiental que permite às empresas/organizações compreender as incidências ambientais dos materiais, dos processos e dos produtos, podendo a informação obtida conduzir ao desenvolvimento de novos produtos e à detecção de áreas de investigação e desenvolvimento.

Esta abordagem permite às empresas determinar como melhorar os seus produtos, desenvolver outros e formar estratégias comerciais específicas. 
 
Referências normativas

O Comité Técnico TC 207 da ISO, criado em 1993 com o objectivo de desenvolver e actualizar a série de normas ISO 14 000 (Ambiente), formou, entre outros, o Sub-comité 5 (SC5), designado Ciclo de Vida do Produto, publicando as normas ISO 14 040 a 14 049.

O SC5 elaborou normas relacionadas com a ACV, nomeadamente a norma ISO 14 040 – “Análise do Ciclo de Vida – Princípios e Procedimentos Gerais”. Esta norma, publicada em 1997, especifica as ferramentas metodológicas para a aplicação dos conceitos de ACV. As duas primeiras fases da ACV são abordadas pela norma ISO 14 041 – “Inventário do Ciclo de Vida” e pela norma ISO 14 042 – “Avaliação dos Impactes no Ciclo de Vida”, publicadas em 1998 e 1999, respectivamente.

A norma ISO 14 041 estabelece requisitos e recomendações para a fase de inventário, como, por exemplo, o modo como efectuar fluxos entre diferentes funções, como lidar com co-produtos e com vários tipos de reciclagem. A norma ISO 14 042 examina o inventário de entradas e saídas de materiais e de energia para melhor identificar sua significância ambiental.

Por fim, a norma ISO 14 043, publicada em 1999, relativa à interpretação do ciclo de vida, analisa a relação que existe entre a ACV e outras técnicas de gestão ambiental.

Metodologia de ACV

Avaliar o ciclo de vida permite a avaliação dos impactes ambientais dos produtos, com a salvaguarda ambiental associada à escolha optimizada dos materiais e energia, numa abordagem holística em que a tecnologia, a economia e o ambiente têm iguais prioridades.

Uma vez que a ACV promove a concepção de produtos com impacte ambiental reduzido (ecoprodutos), é relevante atender, na área do desenvolvimento dos produtos, ao seu ecodesign. É efectivamente na fase de concepção dos produtos que se definem as suas características e o seu desempenho ambiental, que a ACV propicia.

Assim sendo, há que centralizar a atenção no processo produtivo, estabelecer balanços mássicos e energéticos, avaliar os input’s de forma a minimizar os output’s, dando mais valor acrescentado ao produto, à sua qualidade global.

Ao proceder assim, as empresas já ganharam com o conhecimento das suas ineficiências, com a racionalização de consumos, com a minimização de resíduos e emissões e com as poupanças daí decorrentes.

O fluxograma seguinte ilustra as fases da metodologia de ACV.

A definição do objectivo e do âmbito deve ser feita de forma clara e consistente com a aplicação do estudo, sendo o âmbito definido de modo a assegurar que a amplitude, a profundidade e o detalhe são compatíveis com o objectivo estabelecido.

A análise de inventário consiste na recolha de dados e procedimentos de cálculo para quantificar as entradas (input’s) e saídas (output’s) relevantes.

A análise de impactes ambientais apresenta três fases. Na fase de classificação são definidas as categorias de impactes ambientais; na fase de caracterização os dados do inventário são agregados de modo a quantificar as categorias de impactes ambientais; sendo na fase de avaliação ponderadas as diferentes categorias de impactes ambientais e a sua importância relativa avaliada.

Por fim, é feita a interpretação dos resultados obtidos.

Relação com o Rótulo Ecológico

Os resultados da ACV permitem, por outro lado, fundamentar os critérios de atribuição do Rótulo Ecológico e informar apropriadamente os consumidores sobre a qualidade ambiental dos produtos, o que se reflecte positivamente na imagem social da empresa e nas suas estratégias comerciais.

Com efeito, o grande interesse para as empresas do Sistema de Rótulo Ecológico reside não tanto na vantagem associada à etiquetagem em si, relativamente efémera, mas sim em todos os benefícios económicos e ecológicos gerados na empresa com a aplicação da ACV como instrumento de gestão global das empresas.

A ACV deve, pois, ser vista como um novo estado de espírito no sentido de aceitação voluntária, por parte dos fabricantes de matérias-primas e produtos, da responsabilidade do impacte ambiental desses materiais durante todo o ciclo de vida, desde a sua concepção/design até ao destino final.

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