Impactes ambientais do Desporto

Sílvia Teixeira – Engª do Ambiente
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Que impactes ambientais pode ter a prática desportiva, seja no meio urbano ou em áreas (quase) naturais? Como minimizá-los? Neste artigo é feita uma reflexão introdutória sobre o tema.

O desporto pode ser definido como uma participação organizada que tem por objectivo a manifestação ou o melhoramento das condições físicas e psíquicas de um indivíduo ou grupo de indivíduos, o desenvolvimento das relações pessoais e a obtenção de resultados em competições de todos os níveis. Por outras palavras, pode dizer-se que o desporto, é uma excelente ferramenta social para melhorar a qualidade de vida e a saúde dos cidadãos.

À medida que as sociedades modernas se vão desenvolvendo, o fenómeno do “desporto” vai adquirindo maiores proporções. Mas também são as sociedades mais avançadas as que maior ênfase, colocam na consciencialização social para proteger o seu investimento.

 

A natureza, é mais uma atracção para se praticar desporto, e existe mesmo, uma relação simbiótica entre ambos, o que pode trazer vantagens e desvantagens para a própria natureza:

 
 

Com isto deve ter-se em conta também o planeamento urbanístico das cidades, devido aos problemas inerentes que impedem um bom desenvolvimento das instalações desportivas, como a ausência de espaço, por exemplo. Assim sendo, pode-se começar a pensar em ecologia desportiva, que se poderá ocupar da boa implementação de instalações desportivas, de jogos e de recreio, no ecossistema local.

Classificação dos desportos em função do meio

De um ponto de vista ambiental, podemos classificar os desportos em dois grandes grupos:

. Desportos que necessitam de instalações desportivas especificas:

. Desportos que não necessitam de instalações específicas

Se bem, que os primeiros podem causar um grande impacto no ambiente, devido sobretudo às instalações de que necessitam, os segundos podem produzir circunstancialmente danos na natureza muito importantes, como actividades de caça, pesca, ou até mesmo as bicicletas de montanha, cujos praticantes deveriam ser os mais interessados em manter o meio ambiente protegido, mas apesar disto nem sempre actuam em beneficio destes interesses. Por outro lado, muitos dos desportos, que não precisam de instalações específicas, precisam de instalações especiais, tais como os desportos náuticos, que precisam de portos, alguns desportos aéreos, que precisam de aeródromos relativamente perto, o que pode provocar desequilíbrios ambientais.

 
 
Instalações desportivas no meio urbano

Assim, pode afirmar-se que o auge da prática desportiva é um feito do mundo desenvolvido, mas a grande cidade não é o meio mais adequado para muitas práticas físicas, devido à falta de espaços verdes, contaminação atmosférica e acústica, etc. Tal implica que se devem construir instalações adequadas dentro da própria urbe. Por outro lado, há instalações desportivas que só são viáveis em grandes cidades, devido principalmente a factores económicos, de necessidade de massificação de habitantes, e de concentração.

Não se pode cair no equívoco de se pensar que os grandes problemas do meio ambiente são unicamente gerados pela indústria. A prática físico desportiva e a construção de instalações para estas práticas, contribuem para a degradação ambiental, da mesma forma que a construção de habitações, parques industriais ou até mesmo estradas.

Pode-se falar de uma dupla influência: do meio urbano sobre a instalação desportiva (e sobre os atletas que a usam), e da instalação sobre o meio urbano onde está confinada. As duas são muito importantes, pois o meio onde se realiza o desporto influência muito, tanto psíquica como fisicamente, os desportistas, e não é desejável que a instalação provoque uma deterioração do meio ambiente que a rodeia. Esta deterioração ambiental pode ficar a dever-se a dois factores essenciais:

. Arquitectura inadequada das instalações, desenhos defeituosos, ou materiais inadequados, e

. Como consequência do uso da instalação, altos consumos energéticos, excessiva produção de resíduos, gestão incorrecta das instalações.

Estes problemas poderiam ser resolvidos ou minimizados se se obrigasse ao cumprimento rigoroso de uma legislação adequada, e se os desenhadores das instalações colaborassem com os próprios desportistas.

As consequências mais importantes podem-se diferenciar-se em impactes directos ou indirectos derivados da prática desportiva:

Há que assinalar que as actividades desportivas que causam mais efeitos sobre o meio natural são as que resultam de impactes indirectos. Se pensarmos no aumento de estâncias de ski, de portos desportivos, e os resíduos que estas instalações produzem, podemos ter uma ideia do impacte que provocam no meio ambiente, sobretudo se não são tidas em conta medidas de prevenção adequadas. 
 
As principais causas destes impactes resultam basicamente do seguinte:


. Ausência de educação ambiental.

. Falta de regulamentos sobre os espaços naturais.

. Confusão sobre as competências e administração dos espaços naturais.

. Explosão no tempo e no número de pessoas que usam os espaços naturais

. Escassos recursos, (materiais e humanos) dedicados à conservação e controlo dos impactos no meio.

Como conclusão, e como dizia o escritor Fernando Namora, “Tanto ou mais que as pessoas, os lugares vivem e morrem. Com uma diferença: mesmo se já mortos, os lugares retêm a vida que os animou. No silêncio, sentimos-lhes os ouvidos vigilantes ou o rumor infatigável dos ecos ensurdecidos.” Compete a todos ajudar a preservar o meio ambiente em que vivemos, e está na educação a chave para esta vitória. A educação é um processo social, é desenvolvimento, Não é a preparação para a vida é a própria vida.

Sílvia Teixeira, Engenheira do Ambiente, smgt@portugalmail.pt

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