Gestão e valorização de resíduos

Rita Teixeira d’Azevedo
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•Compostagem:

A compostagem consiste na degradação biológica aeróbia dos resíduos orgânicos, na presença de uma população bacteriana, em ambiente aeróbio, produzindo um produto final designado como composto, permitindo a valorização agrícola dos resíduos com componente orgânica.

•Digestão anaeróbia:

Este processo consiste na degradação biológica anaeróbia dos resíduos orgânicos, na presença de uma população bacteriana, em ambiente anaeróbio, produzindo biogás (constituído por dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4)) e um produto final fitotóxico, húmido e contaminado microbiologicamente, o qual segue para compostagem. Deste modo, a digestão anaeróbia permite quer a valorização energética quer a valorização agrícola dos resíduos com componente orgânica.



• Degradação anaeróbia dos resíduos em aterro sanitário:

A degradação dos resíduos em aterro sanitário compreende a degradação aeróbia e anaeróbia dos resíduos. A degradação aeróbia ocorre na parte superficial dos resíduos, é muito rápida e dá origem a uma mistura gasosa constituída por dióxido de carbono (CO2), amoníaco (NH3) e água (H2O). A degradação anaeróbia dos resíduos ocorre nas camadas inferiores, sendo promovida pela compactação e cobertura dos resíduos e dando origem ao biogás (constituído aproximadamente por 60 % de CH4 e 40 % de CO2). O biogás produzido no aterro sanitário é captado por meio de um sistema de extracção, com drenos executados de modo a acompanharem o crescimento da massa de resíduos. Deste modo, o biogás é captado e aproveitado para a produção de electricidade, em geral para a iluminação da área do aterro. No caso do biogás produzido não ser sujeito a valorização energética, deverá ser previamente queimado numa tocha e libertado para a atmosfera, uma vez que, por ser um gás com efeito de estufa, contribui para o agravamento desse efeito.

•Incineração:

A Incineração é um processo de queima de resíduos, realizado sob alta temperatura (900 a 1 250 ºC, com tempo de residência controlado. Nesta tecnologia ocorre a decomposição térmica, via oxidação, a alta temperatura, da parcela orgânica dos resíduos, transformando-a numa fase gasosa e outra sólida, reduzindo o volume, o peso e as características de perigosidade dos resíduos.

Este tipo de sistema tem vindo a ser implementado em zonas de grande produção de resíduos por permitir uma redução do volume inicial até cerca de 90 %. Deste processo resultam como produtos finais a energia calorífica (que é transformada em energia eléctrica ou vapor), águas residuais, gases, cinzas e escórias. Os gases resultantes da incineração têm se sofrer um tratamento posterior, uma vez que são compostos por substâncias consideradas tóxicas (chumbo, cádmio, mercúrio, crómio, arsénio, cobalto e outros metais pesados, ácido clorídrico, óxidos de azoto e dióxido de enxofre, dioxinas e furanos, clorobenzenos, clorofenóis e PCB). O efluente gerado pelo arrefecimento das escórias e pela lavagem dos gases, terá de sofrer um tratamento adequado numa Estação de Tratamento de Águas Lixiviantes – ETAL, ou Estação de Tratamento de Efluentes – EFE, uma vez que é considerado um resíduo perigoso.

A incineração, visando a correcta gestão dos resíduos, pressupõe uma adequada triagem a montante do processo, de modo a garantir que são encaminhados para incineração apenas resíduos indiferenciados, não sujeitos a separação selectiva e a valorização orgânica. Apresenta como principais vantagens a valorização energética dos resíduos, a monitorização on-line contínua de todo o processo e o controlo das emissões atmosféricas, permitindo ainda flexibilidade na forma de recepção dos resíduos (tambores, caixas, fardos, sacos e big-bags).

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