
Da análise dos ciclos de maré verifica-se essencialmente que há pouca relação entre amplitudes de maré e distância ao mar, mas que estas são bastante grandes por comparação com as profundidades médias; verifica-se também que os atrasos aumentam com a distância ao mar e são mais pronunciados nas marés vivas e vazantes. Verifica-se que há correlação negativa entre a amplitude da maré e a duração da enchente. De tudo isto decorre que o efeito de fricção dos fundos muito baixos é bastante pronunciado, a crista da onda de maré desloca-se mais depressa que a sua base e surgem vazantes prolongadas e com fraca capacidade de transporte hidráulico e enchentes curtas e com maior capacidade de transporte. Isto é concordante com Aubrey & Friedrichs, WHOI, para planícies de inundação de grande dimensão, onde o efeito do atrito é importante, de acordo com os quais se trata de um sistema com DOMINÂNCIA DE ENCHENTE, com enchentes mais curtas e de maior velocidade, que tendem a preencher os canais e depressões. As geometrias destes sistemas são menos estáveis e tipicamente de águas pouco profundas, por comparação com a amplitude das marés. Têm pouca capacidade de armazenamento de água, nas zonas intertidais aplanadas e nas zonas alagadas. Ainda de acordo com os mesmos autores, com o aumento de profundidade ou a diminuição da amplitude das marés ou ainda, o aumento das áreas de armazenamento intertidais, aumenta o domínio da vazante. Sendo que é impossível alterar as amplitudes das marés, restam as outras duas possibilidades, que por sua vez podem colidir e provavelmente colidem, com a manutenção de habitats de pouca profundidade, indispensáveis para aves limícolas e funções de viveiro.