
O problema da gestão dos resíduos plásticos da agricultura : o caso da Costa Sudoeste.
Os sistemas agrícolas intensivos recorrem cada vez mais à utilização de diversos tipos de equipamentos, materiais e agroquímicos (factores de produção), para maximização de produções e rendimentos.
Trata-se de verdadeiros tecnosistemas agrícolas os quais, entre outros aspectos, contrastam com a agricultura tradicional através da elevada quantidade de resíduos sólidos não orgânicos gerados durante o ciclo de cada campanha, correspondendo aos factores de produção entretanto aplicados naquele sistema cultural e agora em fim da vida útil (p.ex. contentores de material de viveiro (tabuleiros, cuvettes e vasos); embalagens de fertilizantes e agroquímicos (sacas e vasilhame diverso); tubagens e fitas de rega; plástico de estufas, túneis e cobertura de solo, etc.).
Em teoria, uma exploração agrícola moderna, além das actividades directamente associadas à produção e respectiva comercialização, deve ainda atender à correcta gestão deste tipo de resíduos e contabilizar os respectivos custos nas contas da empresa agrícola.
No nosso país, não se verifica a generalização de níveis elevados de intensificação agrícola como em outros países europeus (p.ex. Holanda, França e até a nossa vizinha Espanha), facto que pode ser encarado como uma vantagem na perspectiva da conservação da natureza e ainda da recuperação e desenvolvimento da produção de bens alimentares saudáveis através de uma agricultura limpa, amiga do ambiente.
No entanto, e ao contrário do que se verifica nos restantes países europeus, nas zonas do país onde se pratica uma agricultura mais intensiva, a consciencialização dos agricultores quanto à necessidade de promover a correcta gestão dos respectivos resíduos e quanto às responsabilidades que lhes cabem nesse processo, é reduzida ou nula.
Ao mesmo tempo e funcionando como a outra face da mesma moeda, é também muito baixo o nível de consciencialização dos consumidores quanto à importância de serem informados sobre aspectos associados às diversas fases da produção dos alimentos que adquirem. Existem já algumas iniciativas de diferenciação dos produtos junto ao consumidor, identificando, nomeadamente, aqueles que são produzidos em "agricultura biológica", ou que fornecem garantias de respeito de normas estritas de utilização de agroquímicos e/ou de embalamento. Não existe no entanto qualquer iniciativa que permita esclarecer o consumidor quanto às práticas de gestão de resíduos adoptadas pelos produtores dos bens alimentares disponíveis no mercado.