Reciclagem porta-a-porta – o exemplo de Oeiras

Ana Luisa Pinho (04-2001)
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Os habitantes do concelho de Oeiras aderiram ao sistema de recolha selectiva de resíduos porta-a-porta. Sendo a reciclagem uma necessidade comprovada, conheça o funcionamento e as vantagens deste sistema e como é fácil participar.

Todas as Segundas e Quintas-feiras os habitantes do concelho de Oeiras depositam à sua porta um saco azul transparente cheio de embalagens. Ao lado vê-se um feixe de jornais, revistas e cartão. É o “Dia da Reciclagem”. Ao mesmo tempo que apostam na recolha selectiva do lixo, estas pessoas fazem passar a mensagem da política dos 3 Rs (Reduzir, Reutilizar, Reciclar). Produzem menos lixo, ensaiam a educação ambiental dos mais novos e levam os vizinhos a ter o mesmo comportamento. E não são apenas os moradores que estão sensibilizados para o ambiente, mas também os comerciantes, as empresas e as escolas. A palavra de ordem é reciclar
 
Separar o lixo

O conceito de lixo, tal como a maioria de nós o entende, ou entendia até há bem pouco tempo, está a sofrer uma revolução. Chegou a era do vidrão, do papelão, do ecoponto. A educação ambiental veio para ficar e se ainda não separamos, pelo menos já pensamos duas vezes antes de deitar tudo para o caixote do lixo. O que acontece é que por falta de tempo ou por simples preguiça, acabamos por acumular uma série de coisas que depois não sabemos o que lhes havemos de fazer. Isto dá-se principalmente com os jornais e as revistas ou as garrafas de vidro. De resto, as latas, as embalagens de leite, etc., ainda têm todas o mesmo destino: o lixo.

Até ao ano 2005, Portugal tem que recuperar 25% das suas embalagens. O ideal seria atingir metade ou mais desta capacidade de reciclar o que deitamos fora, mas isso implica uma mudança de hábitos radical.

Por outro lado, cada concelho tem levado a cabo diferentes formas de reaproveitar os desperdícios. Até ao momento, não existe um plano concertado que abranja todos os municípios e, assim, cada um governa-se com “a prata da casa”. Em Lisboa seguiu-se a política do ecoponto, que pretende levar o cidadão a separar o seu lixo e a depositá-lo em recipientes específicos para cada um dos materiais. No entanto, há quem não esteja de acordo com este sistema e tenha tentado implementar outro, no seu entender muito mais eficaz. A partir de uma experiência-piloto iniciada na freguesia de Queijas, em 1994, a Câmara Municipal de Oeiras iniciou a recolha porta-a-porta. Sofia Gomes, Engenheira do Ambiente, coordena a recolha selectiva de embalagens para reciclagem e explica o que se fez em Queijas: “Tentámos em pequena escala a recolha selectiva porta-a-porta e em Março de 97 o sistema foi alargado a todo o concelho de Oeiras. Desde essa altura, todos os habitantes podem participar, separando embalagens de plástico, cartão e metal e colocando-as em sacos azuis ou translúcidos. O papel é atado em molhos ou colocado também em sacos e basta depositá-los à porta de casa”.

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