Um buraco na alta atmosfera

Maria Carlos Reis
Imprimir
Texto A A A

A rarefação da camada de ozono tornou-se num dos maiores problemas ambientais do planeta. Ainda que a reacção a este problema comece a produzir resultados positivos, só dentro de 1 ou 2 séculos se poderá atingir uma recuperação completa.

São diversas as substâncias químicas que reagem com o ozono, destruindo-o. A lista negra dos produtos danosos inclui óxidos nítricos e nitrosos expelidos pelos escapes dos veículos e o dióxido e monóxido de carbono libertados pela combustão do carvão e do petróleo. Mas em termos de efeitos destrutivos sobre a camada de ozono, nada se compara ao grupo de gases designados por clorofluorcarbonetos, os conhecidos CFCs.

Os clorofluorcabonetos foram sintetizados pela primeira vez há cerca de 70 anos, entrando nos circuitos comerciais pouco depois. Foram desenvolvidos como substitutos seguros dos refrigerantes tóxicos, à base de dióxido de enxofre e amónia, usados na altura e passaram a ser integrados numa grande variedade de aplicações industriais, comerciais e domésticas, primeiro como gases refigeradores e depois como agentes propulsores. Constituídos por cloro, flúor e carbono, os CFCs foram muito utilizados como isolantes em aparelhos de refrigeração (frigoríficos e aparelhos de ar condicionado), em solventes de limpeza na indústria electrónica, em espumas sintéticas usadas no combate a incêndios, na produção de materiais plásticos para embalagens, entre outras aplicações.

Junto da superfície terrestre, os CFCs são relativamente inofensivos e não reagem com qualquer outro tipo de material, inclusive a pele humana. Não são tóxicos, inflamáveis ou corrosivos e possuem propriedades termodinâmicas estáveis, o que fez com que fossem saudados como substâncias capazes de solucionar uma boa parte dos problemas da vida moderna. Durante 50 anos eles foram o exemplo perfeito de uma solução técnica supostamente benéfica para o ambiente e para os problemas de engenharia, sem nenhuma contrapartida negativa. Por esta razão, a sua produção foi subindo exponencialmente a partir dos anos 50, chegando às 100 000 toneladas por ano, na década de 60.

Comentários

Newsletter