Ficha do Carvalho-roble

Nuno Cruz António
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O Carvalho-roble é uma árvore portentosa, que ocorre em todo o País, particularmente no Norte Litoral, já que prefere climas húmidos oceânicos. O seu nome deriva das características da sua madeira, nomeadamente, a sua dureza e resistência.

 

 

TAXONOMIA

O Carvalho-roble, ou Carvalho-alvarinho, é uma angiospérmica dicotiledónea, também denominada folhosa. Pertence à ordem das Fagales, família das Fagáceas, género Quercus, sendo a espécie Quercus robur.

DESCRIÇÃO

É uma árvore de folha caduca, com um porte majestoso e uma copa ampla, com uma altura que pode ultrapassar os 40 m. O tronco tem um porte recto e uma casca muito espessa. As folhas são grandes, simples e alternas, de cor verde intensa, com as nervuras bem salientes na página inferior. A sua forma é obovada e têm um pecíolo muito curto. As flores masculinas são amentilhos verde-amarelados, com 10 estames, cada um estando envolvidos por 5 a 7 sépalas. As flores femininas são de 1 a 5 e estão cobertas por uma camada escamosa de cor pardo-avermelhada. O fruto é uma glande ovóide, envolvida apenas na base por uma cúpula escamosa e apoiado num longo pedúnculo.


DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

O Carvalho-roble é comum em toda a Europa, Norte de África e Ásia Ocidental. Em Portugal é espontâneo, sobretudo no Norte litoral. 

CONDIÇÕES AMBIENTAIS

O Carvalho-roble desenvolve-se desde o nível do mar até aos 1000 m de altitude. Tem preferência por solos frescos e profundos. É uma espécie pouco tolerante aos solos calcários. Prefere climas húmidos, oceânicos, onde se sinta pouco a secura estival. Por outro lado, tem alguma resistência ao frio.

PROPAGAÇÃO

Propaga-se por semente. A floração ocorre no período de produção de novas folhas (Abril-Maio). As bolotas amadurecem em Setembro e caem em Outrubro. O Quercus robur associa-se, por vezes, a outras quercíneas como o Quercus petraea e o Quercus pyrenaica, com as quais híbrida facilmente.

O seu período de vida pode ser muito longo, chegando mesmo ao milhar de anos.

 

 

HISTÓRIA E UTILIZAÇÕES

O nome eleito por Lineu para esta espécie – robur – era o termo utilizado para designação de madeiras de grande dureza e solidez, bem como para características humanas, como a força do carácter. A madeira do carvalho roble é muito dura, de grão fino e com anéis de crescimento muito bem demarcados. É bastante pesada e muito resistente à putrefacção, pelo que é recomendada para usos que envolvam água. Historicamente, tem tido usos tão diversos como elemento estrutural de edifícios, mobiliário e construção de frotas de pesca e de guerra. A sua utilização mais comum talvez seja a construção de tonéis para envelhecimento do vinho.

BIBLIOGRAFIA

Alves, A. A. Monteiro (1982). Técnicas de Produção Florestal. INIC. Lisboa.

Coutinho, A. X. P. (1936). Esboço de uma Flora Lenhosa Portuguesa. DGSFA. Lisboa.

Fabião, A. M. D. (1987). Árvores e florestas. Publicações Europa-América – Colecção Euroagro. Lisboa.

Goes, Ernesto (1984). Árvores Monumentais de Portugal. Portucel

Gonzalez, G. L. (1991). La Guia de Incafo de los arborles e arbustos de La Peninsula Iberica. Incafo, S.A. Madrid.

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