Ficha da Acácia-Austrália

Nuno Leitão
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É uma das acácias mais conhecidas, por ser uma invasora temível que muitos problemas tem causado nos nossos ecossistemas. A germinação das suas sementes é estimulada pelo fogo e reage agressivamente aos meios utilizados para a controlar.

TAXONOMIA

A Acácia-Austrália (Acacia melanoxylon), é uma angiospérmica, dicotiledónea, nativa da Austrália e da Tasmânia. Pertence à Ordem das Rosales, Família das Fabaceae (Leguminoseae). É uma mimosa do Género Acacia.


DESCRIÇÃO

Esta mimosa apresenta, normalmente, um porte arbóreo médio, atingindo entre 8 a 15 metros de altura podendo, por vezes, atingir os 20 metros. É uma árvore de folha perene, com uma copa densa piramidal ou arredondada. As folhas são filódios laceolados a oblanceolados, ligeiramente curvadas e geralmente verde escuras. Tem um tronco direito, com o ritidoma de cor cinzento acastanhado escuro e com ranhuras. Os ramos aparecem desde perto da base do tronco e têm geralmente uma disposição horizontal ou mesmo pendular. As inflorescências são compostas por capítulos globulares e amarelo pálido. Os frutos são vagens castanho-avermelhadas, mais estreitas que as folhas, algo comprimidas e torcidas. As sementes são rodeadas por pedículos vermelho-rosadas ou escarlate.

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

Esta espécie é nativa das florestas tropicais do Sudeste da Austrália e da Tasmânia. No entanto, tem sido disseminada pelo resto do globo, sobretudo devido ao seu valor ornamental e ao valor da sua madeira negra. A sua presença começou a ser verificada nas ilhas do Pacífico, na Nova Zelândia, nas ilhas do Oceano Índico e na África do Sul. Inicialmente, foi reconhecida como uma invasora nociva na África do Sul.

No continente africano, para além da África do Sul, esta árvore já se distribui pela Etiópia, Quénia, Lesoto, Suazilândia e Tanzânia. No continente asiático, distribui-se pela Índia, Butão e Paquistão. Na América do Sul, aparece principalmente por ter alguma importância silvícola, na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Peru, Uruguai e Venezuela. Na América do Norte, ocorre nos Estados Unidos, sobretudo na Florida e na Califórnia.

No continente europeu, esta árvore é considerada uma infestante. Tal deve-se a diversos problemas de infestação em quase todos os locais onde foi introduzida. Os países europeus onde esta espécie ocorre são a Itália, Bélgica, França, Espanha e Portugal, no continente e nas ilhas dos Açores.

CONDIÇÕES AMBIENTAIS

Como espécie silvícola, tem sido plantada em locais com climas muito húmidos a semi-húmidos, estando melhor adaptada às florestas tropicais mais frias ou florestas esclerófitas húmidas. No seu local de origem (Austrália) as precipitações médias anuais variam entre os 785 mm e os 1000 mm, mas esta espécie tem um melhor crescimento com precipitações médias anuais de 1800 mm (Nova Zelândia) ou de 2000 mm (Chile), não deixando de ser uma espécie muito resistente à secura. As populações desta espécie distribuem-se normalmente com temperaturas médias anuais a variar entre os 10 e 13,5ºC, sendo, no entanto, bastante tolerante ao frio, pois cresce bem em locais com médias mensais de 0ºC. Apesar de ser nativa de uma região de solos profundos, adapta-se bem a diferentes espessuras do solo, incluindo os mais delgados onde se desenvolve com raízes superficiais. É possível dizer que suporta todas as classes de solos tendo uma ligeira preferência pelos ácidos. Apresenta-se, geralmente, em solos com texturas franco-limosas ou de transição, com texturas muito argilosas e densas, texturas argilo-limosas e também em texturas arenosas mas com rendimentos mais fracos. É uma espécie com uma maior afinidade à luz embora seja muito tolerante à sombra.

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