Ficha da Salamandra-lusitânica

Filipa Martins
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MOVIMENTOS/COMPORTAMENTO

Os adultos apresentam hábitos terrestres, utilizando o meio aquático para se refugiarem dos predadores e, por vezes, para acasalarem e depositarem os ovos. 

Durante as migrações para os lugares de reprodução ou de estivação podem percorrer grandes distâncias (superiores a 700m), mas também é possível observar indivíduos sedentários, que ficam no mesmo lugar durante mais de 100 dias.

Apresentam uma locomoção rápida e ágil, deslocando-se através de movimentos laterais do tronco com o auxílio da cauda, movimento que se assemelha ao serpentear das cobras-de-pernas (Chalcides sp.), podendo mesmo dar pequenos saltos.

Para além de desempenhar um papel fundamental na sua locomoção, a cauda da salamandra-lusitânica funciona como reservatório de lípidos. Funciona também como “chamariz” para os predadores - esta espécie apresenta a capacidade de libertar a cauda quando se sente ameaçada, à semelhança dos lagartos, que mesmo separada do resto do corpo mantém-se em movimento. Uma vez que a cauda apresenta um regeneração muito lenta e é tão importante na locomoção, este processo é pouco utilizado, sendo a fuga o método de defesa mais utilizado na maioria dos casos. Outro método de defesa que utiliza é a produção abundante de uma secreção esbranquiçada irritante que a torna escorregadia e, como tal, difícil de capturar.

ACTIVIDADE

É uma espécie de hábitos nocturnos, no entanto pode apresentar actividade diurna e crepuscular em dias nublados ou chuvosos. A salamandra-lusitânica suspende a actividade durante o Verão, devido às elevadas temperaturas e baixa humidade do ar, e durante os meses de Inverno, devido às baixas temperaturas.

 

CURIOSIDADES

Esta salamandra apresenta um mecanismo altamente especializado para captura das presas - possui uma língua pedunculada que é meticulosamente projectada na direcção do alimento.

 

LOCAIS FAVORÁVEIS DE OBSERVAÇÃO

Esta espécie pode ser observada à cabeceira de pequenos ribeiros de regiões montanhosas, debaixo de pedras soltas, tapetes de musgo, manta morta de folhosas, em muros de pedra, pequenas concavidades e minas próximas de cursos de água. As minas são muitas vezes utilizadas como locais de reprodução e estivação.

As larvas podem ser observadas, na sua maioria, em zonas de remanso de pequenos ribeiros de águas límpidas, bem oxigenadas e de fundos pedregosos e, mais raramente, arenosos ou argilosos. Estas, quando próximas da metamorfose, podem ser frequentemente observadas nas margens dos riachos debaixo de pequenas pedras, em zonas de abundante escorrência de água.

 

BIBLIOGRAFIA

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