
Um passeio de barco pelas águas do Estuário do Sado ou da costa da Arrábida ou Tróia pode trazer uma agradável surpresa: avistar alguns indivíduos da população local de roazes, os golfinhos de temperamento sociável que residem nessas paragens.
IDENTIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS
O roaz ou roaz-corvineiro (Tursiops truncatus) é um golfinho robusto, com 2 a 4 metros de comprimento e que pesa entre 150 e 600 kg. Tem focinho curto e bem definido e barbatanas pontiagudas. O dorso é cinzento-escuro, observando-se uma gradação até ao ventre, mais claro. As fêmeas são geralmente um pouco mais pequenas que os machos. Os juvenis são normalmente mais claros e podem apresentar um tom levemente azulado.
DISTRIBUIÇÃO E ABUNDÂNCIA
Este cetáceo é cosmopolita, ocupando as águas temperadas e tropicais dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. É comum tanto em Portugal continental (ao longo de toda a costa), como nos Açores e na Madeira.

ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO
Pertence ao anexo II da Convenção de Berna e ao anexo IIA da Convenção de Washington (CITES). Em Portugal é considerado não ameaçado (NT), ainda que a população do Sado (de algumas dezenas de indivíduos) esteja em regressão e em risco de desaparecimento.
FACTORES DE AMEAÇA
Os principais factores de ameaça a esta espécie são a alteração ou destruição do seu habitat, a poluição industrial e a perturbação causada por embarcações. No caso da população do Sado, estes factores têm induzido uma taxa de mortalidade de crias e juvenis muito alta.

Fotografias de José Romão
HABITAT
Os roazes são predominantemente costeiros, sendo avistados com frequência em estuários. No entanto, também podem ser observados ao largo, por vezes em associação com outras espécies de cetáceos.
ALIMENTAÇÃO
Esta espécie alimenta-se de peixes, cefalópodes e crustáceos. É um predador eficaz que, graças à ecolocalização, é capaz de determinar a posição de presas a grande distância. Possui estratégias de caça diversificadas e complexas.
REPRODUÇÃO
O acasalamento e os nascimentos dão-se ao longo de todo o ano, embora exista um pico entre Abril e Setembro. A gestação dura entre 10 e 12 meses. Cada fêmea tem apenas uma cria, a cada 2 ou 3 anos. No momento do nascimento, duas fêmeas rodeiam a mãe para a proteger dos ataques de tubarões que possam ser atraídos pelo cheiro de sangue. Por vezes essas fêmeas ajudam a cria a nascer, puxando-a pela cauda e depois empurram-na para a superfície para respirar. As fêmeas aleitam as crias durante cerca de 18 meses e podem deixá-las com outro adulto que faz de “baby-sitter”.
A maturidade sexual dá-se por volta dos 11 anos no caso dos machos e entre os 10 e os 12 anos nas fêmeas. Podem viver 30 a 40 anos.
ORGANIZAÇÃO SOCIAL
Os roazes vivem em grupos com indivíduos do mesmo sexo ou de ambos os sexos e com as suas crias e juvenis. Podem ser observados em grupos de 2 a 1000 indivíduos, mas geralmente encontram-se em grupos até 25 indivíduos. Mantêm uma hierarquia social e cooperam, em todas as circunstâncias, na caça, quando uma fêmea dá à luz, nos cuidados com as crias e com os indivíduos doentes. Possuem uma linguagem muito elaborada e consagram uma grande parte da vida a jogos.
LOCAIS FAVORÁVEIS DE OBSERVAÇÃO
São facilmente observados em algumas áreas costeiras, nomeadamente no Estuário do Sado.
BIBLIOGRAFIA
MacDonald, D. e Barrett, P. (1993). Mammals of Britain and Europe. HarperCollins, London.
Martin, A. R. (1990). Whales and Dolphins. Salamander Books Ltd.
Sequeira, M. e Farinha, J. C. (1998). Baleias e Golfinhos. ICN. Lisboa.
