A difícil escalada para as energias renováveis

Cláudia Fulgêncio
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A produção de energia de origem nacional é apenas de 3,98 Mtep, sendo basicamente resultante da biomassa (2,65 Mtep) e das centrais hídricas (1,27 Mtep).

O nosso país tem, no entanto, potencialidades pouco aproveitadas no que respeita à energia eólica. O desenvolvimento deste sector poderá ser um caminho a seguir, face à necessidade de cumprir os compromissos estabelecidos no seio da União Europeia, quanto à produção de energia a partir de fontes renováveis. Mas este é também um caminho com obstáculos e condicionantes.

No sentido de debater os prós e os contras desta solução, realizou-se a 20 de Fevereiro, em Lisboa, um debate, com as participações do Dr. Pedro Silva (Secretário de Estado do Ordenamento do Território), Arq.º Carlos Guerra (Presidente do Instituto de Conservação da Natureza), Prof. António Betâmio de Almeida (APREN - Associação dos Produtores Independentes de Energia Eólica e Fontes Renováveis), Prof. Álvaro Rodrigues (Universidade do Porto) e Eng.º Carlos Pimenta.

 Energia Eólica e Ambiente – Prós e Contras

Actualmente existem cerca de 30 parques eólicos em Portugal, que totalizam uma potência instalada de aproximadamente 115 MW.

Contudo, Álvaro Rodrigues, professor da Faculdade de Engenharia do Porto, calcula que Portugal tem potencial para produzir 1650 MW de energia, a partir do vento - caso se considerem restrições ambientais moderadas - e 700 MW, considerando um cenário de restrição ambiental severa.

Entre as vantagens de apostar nesta energia apontam-se a grande disponibilidade global, a não emissão de poluentes, o fácil desmantelamento e quase total reciclagem dos componentes dos parques, os custos externos e sociais baixos e o aproveitamento de um recurso endógeno (redução da dependência energética exterior). No outro prato da balança encontram-se a aleatoriedade e a baixa densidade desta forma energética, a afectação da avifauna, o ruído e o impacte visual. O uso do solo, a ligação à rede eléctrica nacional e a compatibilidade ambiental dos parques eólicos com as áreas classificadas são, por ele, consideradas as principais barreiras ao desenvolvimento deste sector em Portugal.

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