A Produção de Sal

Maria Carlos Reis e Luisa Chaves
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Pouco se sabe deste produto nos períodos pré-romanos, mas é certo que as legiões encontraram já na Península a salga do peixe e a exploração do sal marinho. Os primeiros registos efectivos de exploração salineira no território nacional referem-se, todavia, a um período anterior ao séc. X, na foz dos rios Minho e Vouga. Alguns destes documentos evidenciam a grande importância económica que esta actividade assumiu durante toda a Idade Média. Os salgados avançaram depois, progressivamente, para sul, à medida que a conjectura militar e demográfica permitia o estabelecimento da actividade. A partir do séc. XVI, a exportação nacional de sal, principalmente para os Países Baixos e bacia do Báltico, representava uma das principais fontes de rendimento para a economia portuguesa da época.

Da primeira estatística fiável dos diferentes salgados portugueses, que data dos finais do séc. XVIII, fica-se a saber que a exploração salineira foi abandonada em todas as zonas a norte de Aveiro, sendo a localização geográfica dos restantes salgados da época semelhante à actual. Desde esta altura até inícios do séc. XX, pouco se sabe da evolução da actividade, pela inexistência de estatísticas de produção para cada salgado. Em 1936 os dados apontam para uma situação já completamente diferente. A actividade estava, então, mergulhada numa profunda crise, devido a uma diminuição gradual dos preços do sal no produtor, acompanhada de um aumento dos custos de produção, o que provocou um decréscimo acentuado nas exportações. Para além do abandono de muitas salinas, é também na década de trinta que se iniciam os primeiros planos de rega da bacia do Sado e, com a expansão da área de cultura do arroz, são destruídas algumas salinas.


Foi apenas nos anos 60 que a mecanização se iniciou, particularmente nas salinas do Tejo, Sado e costa algarvia, como resultado de um esforço de dinamização de um sector em franco declínio.

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