O abandono das salinas

Maria Carlos Reis e Luisa Chaves
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As salinas estão associadas a ecossistemas característicos de elevado valor de conservação, que estão em risco pelo abandono progressivo da extracção do sal marinho.

A extracção de sal é uma actividade secular, completamente integrada no ecossistema onde é praticada, pois é praticamente inócua. Por este motivo, é possível considerar a existência de um ecossistema característico das salinas, onde a presença do Homem é perfeitamente tolerada e necessária.

A perda de uma salina, do ponto de vista funcional, representa não só o desaparecimento de importantes sistemas ecológicos e biológicos, mas também de valores sócio-económicos, culturais e paisagísticos de grande importância a nível nacional.

O estado das marinhas abandonadas e o seu ritmo de degradação variam consideravelmente de acordo com o sistema onde se inserem. Factores como o grau de assoreamento do esteiro, a existência ou não de comportas de ligação deste à marinha, a permeabilidade do solo dos tanques, a existência ou não de ligação entre estes, a proximidade ao estuário, o tipo de formação vegetal e o seu ritmo de colonização, são condicionantes da velocidade de deterioração das salinas.

Numa salina inactiva deixa de existir manipulação sazonal do nível das águas nos tanques, o que pode conduzir, em situações extremas, tanto ao desaparecimento completo da água das superfícies, como à inundação de toda a salina. No primeiro caso verifica-se uma alteração profunda da fauna, visto desaparecerem muitas das espécies piscícolas e invertebradas, normalmente associadas ao sistema. Relativamente à avifauna, para além de ocorrer uma perda de habitats de alimentação, a pressão predatória sobre os ovos e juvenis das espécies nidificantes é muito maior. No segundo caso, embora o impacto sobre a fauna dependente da água não seja tão acentuado, os problemas relativos às aves são análogos. A perda de habitats de alimentação deve-se, nesta situação, à elevada profundidade da coluna de água (normalmente superior a 20 cm), impedindo que a maioria das espécies pousem nesses locais. Por outro lado, o insucesso reprodutor deve-se, agora, à inundação dos ninhos.

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