A camada de gelo do Árctico está mais fina

Maria João Cruz e Rui Braz
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Investigação recente revelou que nos últimos 40 anos a espessura média do gelo Árctico reduziu-se em cerca de 40%. Conheça as possíveis causas e consequências deste fenómeno.

Um relatório da revista Geophysical Research Letters sustenta que a espessura média do gelo que cobre o Pólo Norte e grande parte do oceano Árctico diminuiu cerca de 40% nas últimas 4 décadas, o que corresponde a 1,3 metros.


A área coberta por gelo é cerca de duas vezes maior no Inverno do que no Verão. Existem fortes evidências de que a menor extensão anual de gelo Árctico (que ocorre no fim de Agosto) diminuiu 3,6% em cada década desde 1961.

Actualmente, a área coberta por gelo pode ser monitorizada por satélites. Infelizmente, a espessura do gelo é mais difícil de medir, sendo o único processo para o fazer, o recurso a sondas de submarinos que se coloquem sob o gelo. Submarinos dos Estados Unidos conduziram uma extensa experiência denominada de Scientific Ice Expeditions (SCICEX), na qual se descobriu que, na zona mais profunda do Oceano Árctico, a espessura média do gelo diminuiu de 3 metros em 1958-76 para apenas 1,8 metros em 1993-1997. Noutras áreas, o gelo foi diminuindo progressivamente a uma taxa de cerca de 10 centímetros por ano.


Além dos ursos-polares e das raposas-do-árctico, duas espécies ameaçadas, muitas outras espécies como a coruja-das-neves, a lebre-do-árctico, o bufo-nival, a foca e a morsa vivem sobre o gelo árctico. O gelo do árctico não só sustenta uma grande variedade de formas de vida como também abriga algas que têm uma grande importância para o ecossistema já que são a base das cadeias alimentares daquela região. Assim, a diminuição da camada de gelo é extremamente preocupante sob a perspectiva da conservação de inúmeras espécies que dependem do ecossistema Árctico.


Além disso, um declínio na quantidade de gelo existente no Árctico, também pode ter consequências desastrosas noutros locais do globo terrestre. Uma vez que no Árctico o gelo flutuante apenas desloca uma quantidade equivalente de água, o derreter deste gelo não produz diferenças no nível do mar (ao contrário do que acontece com o gelo que derrete no interior da área continental do Antárctico). No entanto, o gelo do Árctico desempenha um papel importante no clima. Em primeiro lugar, reflecte a luz solar para o espaço e, se desaparecer, a terra irá absorver mais calor e tornar-se-á mais quente.

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