Para construir este instrumento musical utilizam-se madeiras de diversas espécies. Em muitos casos, para além da espécie, especifica-se também a origem geográfica, deste modo traduzindo a influência das condições de crescimento nas respectivas propriedades. Para os tampos são referidas madeiras como cedro (por exemplo, cedro do Canadá), espruce, abeto, pinho suíço, pinho da flandres, pinho do oregon; para o fundo e as ilhargas, pau santo, mogno, nogueira, plátano, jacarandá; para o braço, mogno; para a escala, ébano e pau preto; e para o cavalete, ébano, pau santo, pau ferro e mogno.

A investigação e a selecção de madeiras
Em trabalho de investigação recente (1), estudaram-se madeiras de diferentes espécies, umas já referidas como utilizadas para a construção da viola, outras não. Analisaram-se do ponto de vista anatómico (organização dos tecidos e dimensões das células), químico (teor de extractivos), físicos (densidade e variações dimensionais com a humidade) e acústicos (frequência fundamental e tempo de reverberação). Os resultados foram tratados utilizando métodos estatísticos de taxonomia numérica.
Tendo em conta as funções que desempenham na viola dedilhada, os requisitos para as madeiras das diferentes peças e a sua tradução em termos de características deverão ser os seguintes :
- fundo e ilhargas: uma madeira “rija”, que possa reflectir as vibrações em todas as direcções e a sua transmissão ao tampo; está associada a elevados valores de densidade, extractivos pelo etanol, nº de raios/mm, parênquima médio a abundante, estratificação nítida dos raios e a baixos teores de humidade e retracção, altura média dos raios, comprimento médio dos vasos e das fibras.
- tampo: uma madeira “branda”, que receba as vibrações vindas de todas as direcções e deixe passar o som para o exterior; apresentando valores elevados de frequência fundamental, extractivos pelo diclorometano, comprimento, largura e espessura de parede dos traqueídos em oposição a baixos valores de densidade, tempo de reverberação, nº de células em altura e largura dos raios assim como baixo índice de elasticidade de traqueídos e parênquima raro.
- braço: madeira pouco higrométrica para não empenar, não muito pesada mas resistente para aguentar a tensão das cordas; deve ter valores relativamente elevados de frequência fundamental e extractivos por diclorometano em oposição a valores baixos de tempo de reverberação, pontuações intervasculares, nº raios/mm, densidade e retracção sobretudo axial e tangencial.
-escala: deve reflectir bem as vibrações, dar um excelente polimento para os dedos deslizarem sem atrito, resistir ao tempo e à transpiração das mãos e permitir a fixação dos trastos metálicos sem empenar ou fender; deverá ter valores elevados de densidade e extractivos, nº vasos/mm e índice de elasticidade das fibras e valores baixos de frequência fundamental, teores de humidade, retracção tangencial e volumétrica, nº de células em largura nos raios e diâmetro tangencial dos vasos.
- cavalete: madeira muito “rija” para reflectir as vibrações.
-cintas e travessas: madeira “fina” e leve para melhorar a qualidade do som e evitar os harmónicos em excesso.
Para peças de alta qualidade da viola dedilhada, a construção poderá utilizar madeira das seguintes espécies (Figura 5) : pau santo ( Dalbergia nigra Fr. All) para o fundo e ilhargas, pinho do Oregon ( Pseudotsuga menziesii (Mirbel) Franco) para o tampo, sapelli ( Entandrophragma cylindricum Sprague) para o braço, ébano ( Diospyrus crassifloraHiern) para a escala e também para o cavalete e a casquinha, pinheiro-silvestre (Pinus silvestris L.) para as cintas e travessas.

A madeira é um material indispensável para a construção de instrumentos musicais, e deverá ser sempre adequada e da melhor qualidade para o efeito pretendido.
(1) Bessa, F. (2000). Caracterização anatómica, física, química e acústica de madeiras de várias espécies para a construção de instrumentos musicais. Tese de Mestrado em Engenharia dos Materiais Lenho Celulósicos, Instituto Superior de Agronomia, Lisboa, pp. 295
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