As Alterações Climáticas e os Fogos Florestais

Cristina Pereira
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A importância da floresta nas alterações climáticas

Como já referimos, o PNAC enuncia como medidas a redução dos incêndios florestais e a eficácia e eficiência da exploração e gestão florestal. 

 

De que modo pode a floresta ajudar a combater este problema?

A fotossíntese que ocorre nas plantas terrestres permite a retenção do C02 no material vegetal e, eventualmente, na matéria orgânica do solo. Durante milhares e milhares de anos esta fixação foi suficiente para compensar o C02 que se ia libertando. No entanto, desde há algumas décadas, com a destruição das florestas naturais e a libertação de grandes quantidades de C02, que a concentração deste gás na atmosfera atingiu níveis elevados.

Para além das florestas, existem outros sink ou sumidouros para o C02, como os oceanos e o solo. No entanto, apenas as florestas e o solo, este último em muito menor escala, têm capacidade de o trocar activamente com a atmosfera, sendo por isso considerados os mais importantes.

Uma das medidas imediatas propostas pelo PNAC é a introdução de instrumentos de natureza financeira e fiscal, como o Fundo de Investimento Imobiliário Florestal. Os objectivos do Fundo compreendem o aumento da dimensão média das explorações e a melhoria na composição e estrutura produtiva dos povoamentos, duas medidas que irão permitir aumentar a eficiência da floresta portuguesa no sequestro do carbono atmosférico. O lançamento de um Fundo com estas características encontra-se agendado para breve.

Os sumidouros naturais e o Protocolo de Quioto

Esta capacidade de retenção e armazenamento do carbono pelas florestas a longo prazo representa um dos pontos importantes no debate do ciclo global do carbono e nos impactes das AC, de tal forma que é considerada no Protocolo de Quioto. No entanto, a avaliação correcta dos stocks existentes nos ecossistemas e o sentido dos fluxos (de ou para a atmosfera), são ainda áreas novas de investigação, onde subsistem muitas dúvidas. Daí os cuidados tidos pela UE na aceitação das florestas como sumidouros no âmbito do Protocolo de Quioto, posição muito diferente da assumida pelos EUA, que pretendiam ver as florestas contabilizadas no comércio de emissões. A contabilização dos sumidouros na sua totalidade poderia permitir a um país atingir as suas metas de redução sem um esforço activo e sem uma redução líquida das emissões, contrariando o espírito do Protocolo.

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