As Alterações Climáticas e os Fogos Florestais

Cristina Pereira
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O Programa Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC) previa um cenário mais optimista de apenas 1% acima do limite definido. Este Programa enuncia medidas para reduzir as emissões de GEE, como a produção de electricidade a partir de energias renováveis, o controlo de emissões na fonte, a reformulação do imposto automóvel em função das emissões de C02, a redução dos incêndios florestais e a eficácia e eficiência da exploração e gestão florestal.

O relatório de 2001 do PIAC reforça a componente antropogénica das AC, referindo, para o período entre 1990 e 2100, aumentos da temperatura média entre 1,4º e 5.8º C e do nível médio das águas do mar entre 9 e 88 cm, dependendo do cenário de desenvolvimento considerado. Este relatório prevê que os efeitos negativos das AC superem os positivos, afectando principalmente as regiões tropicais e subtropicais, onde se situam muitos países carenciados, sem meios para fazer face a estes desequilíbrios. Assim, muitas regiões costeiras ficarão inundadas, os desertos avançam e numerosas ilhas correm o risco de desaparecer. Os impactos na saúde humana serão, também, negativos, com a possibilidade de vectores de algumas doenças, poderem deslocar-se para outros locais, agora mais quentes. Temperaturas elevadas podem causar mortalidade junto da população idosa e aumentar a poluição da água e do ar, ambas com efeitos negativos sobre a saúde humana.


As consequências das alterações climáticas em Portugal

O projecto SIAM (www.siam.fc.ul.pt/HOME.html) estuda, a nível nacional, o impacte e a vulnerabilidade dos sistemas naturais e sociais às potenciais alterações climáticas em Portugal, com vista ao desenvolvimento de estratégias e políticas de adaptação e mitigação dos efeitos negativos dessas alterações.

Os primeiros resultados do estudo, apresentados em finais de 2001, indicam que, em termos médios, para todo o território continental, as temperaturas poderão subir entre 4ºC - 7ºC nos próximos cem anos e que, no interior, esta subida poderá ser ainda maior. Quanto à precipitação anual, tudo indica que haverá um aumento da chuva no Inverno, mas um decréscimo substancial nos meses de Primavera, sobretudo em Abril e Maio. 

A verificarem-se estes resultados poderá ser necessário:


· um maior investimento em medidas de protecção, como paredões, esporões ou recuo de frentes urbanas, para fazer face à erosão costeira;

· no sector agrícola, mudanças das datas das sementeiras e das colheitas, selecção e melhoramento das variedades melhor adaptadas a um clima mais quente e seco e adequação de práticas culturais;

· no sector energético, potencial para um acréscimo na produção de electricidade e na utilização de painéis solares, mas também um aumento no consumo de energia, devido às necessidades de arrefecimento.


Em termos de saúde pública as AC poderão conduzir a um provável aumento de doenças transmitidas pela água e pelos alimentos, sobretudo devido às biotoxinas e elementos patogénicos, e ao aumento de doenças relacionadas com a poluição atmosférica e de doenças transmitidas por insectos e roedores, uma vez que o clima favorecerá a sua proliferação.

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