Vantagens de comer Biológico

Alexandra Costa (AGROBIO) e Jean-Claude Rodet
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Nitratos

Quando ingerimos alimentos com excesso de nitratos, estes convertem-se, no estômago, em nitritos e combinam-se com outras moléculas dando origem a nitrosaminas. Estes produtos são cancerígenos, mutagénicos (provocam mutações genéticas) e teratogénicos (provocam deformações nos fetos). O excesso de nitratos está fortemente associado ao uso de adubos azotados de síntese, em agricultura convencional. Estes adubos, por outro lado, são facilmente lixiviados, poluindo as águas subterrâneas.

Dado que em Agricultura Biológica não são autorizados os adubos químicos de síntese, os produtos “biológicos” têm naturalmente um teor mais baixo de nitratos e promovem a qualidade ambiental.

Antibióticos

62% dos antibióticos utilizados no Reino Unido são usados em animais, como promotores de crescimento, como medida preventiva ou para tratamento de doenças. O resultado é o rápido desenvolvimento de bactérias resistentes. Dado que muitos dos antibióticos utilizados em Medicina Humana são semelhantes aos usados para a produção animal e que as bactérias transmitem muito facilmente entre si os genes de resistência, o seu uso abusivo em produção animal vem restringir as possibilidades de tratamento em seres humanos.

A Produção Animal Biológica é um sistema de produção não intensivo em que são tidas em conta as necessidades comportamentais e fisiológicas dos animais, promovendo o seu bem-estar integral. Neste sistema está totalmente proibida a utilização de hormonas ou antibióticos a título preventivo.

Utilização corrente de antibióticos em produtos alimentares

Carne de porco e bacon - Nas explorações intensivas, são administrados antibióticos aos porcos para estimular o seu crescimento e prevenir as diversas doenças a que estão sujeitos quando são criados em instalações de reduzidas dimensões e sob grande stress. No total, podem ser prescritos até 10 antibióticos diferentes através de injecções, na água e nas rações.

Frangos – Os frangos criados para alimentação humana são habitualmente alimentados com antibióticos de crescimento usados também para tratar infecções causadas por parasitas. Uma vez que não é prático tratar apenas algumas aves infectadas devido ao elevado número que as explorações intensivas comportam, o tratamento é, pois, aplicado a todas as aves, quer necessitem ou não.

Ovos – Raramente são administrados antibióticos de crescimento nas galinhas-poedeiras, mas a sua utilização no combate à coccidiose pode deixar resíduos. Estes resíduos foram encontrados em mais de 10% dos ovos. Em algumas explorações extensivas e noutras em que são usados poleiros, utiliza-se correntemente antibióticos de modo a controlar a enterite necrótica.

Carne de vaca – Nas explorações intensivas de gado bovino são permitidos diversos antibióticos nas rações.

Leite – Na sua maior parte, as vacas leiteiras são tratadas com antibióticos como medida de combate às mastites, sendo estes injectados directamente nas tetas do animal. O tratamento é efectuado quando a produção de leite é interrompida alguns meses antes do parto. Os antibióticos são igualmente utilizados para tratar várias doenças, inclusivamente os animais que coxeiam (doenças do casco), um problema que atinge 25% das vacas leiteiras, todos os anos, devido a uma alimentação excessiva em proteínas e às más condições das vacarias.

Peixe – A utilização de antibióticos na aquacultura é uma prática generalizada, apesar de se saber que os peixes absorvem apenas pequenas quantidades, sendo a restante disseminada no Ambiente. Foram encontrados resíduos em peixes selvagens, bivalves e crustáceos nas zonas vizinhas destas explorações, e as concentrações podem exceder os valores admitidos para consumo humano.


Organismos Geneticamente Modificados (OGM’s)

Um produto “biológico”, por lei, não é, não contém e não pode ser produzido a partir de OGM’s. Estes produtos constituem pois uma alternativa a que têm direito os consumidores que preferem, para já e aplicando o princípio da precaução, não consumir produtos geneticamente manipulados.

Alguns riscos dos OGM's

- Os OGM’s apresentam possibilidades de desenvolvimento de novos agentes causadores de alergias e de novas toxinas. As alergias constituem já um risco alimentar, que tem vindo a aumentar e pode causar a morte. A criação ou agravamento deste problema é um dos riscos mais evidentes da alimentação “transgénica”. As alergias são, com efeito, causadas por proteínas e frequentemente por aquelas que estão implicadas na defesa das plantas contra pragas e doenças. Ora a resistência das plantas a pragas e doenças é um dos caracteres mais frequentemente introduzido nas plantas geneticamente modificadas.

- Os OGM’s apresentam riscos de transferência de genes de resistência aos antibióticos aos microorganismos do tubo digestivo. A resistência aos antibióticos torna certos medicamentos ineficazes no combate a doenças em seres humanos e animais.


- Um medicamento japonês que utilizava bactérias transgénicas causou 27 mortes e milhares de deficientes permanentes. A responsabilidade pelo OGM’s foi habilmente recusada no processo judicial que se seguiu a estes acontecimentos.

- Um certo número de manipulações genéticas visa tornar as culturas resistentes aos herbicidas. Esta resistência vai conduzir inevitavelmente a um aumento importante das doses aplicadas e portanto conduzir a um aumento da poluição alimentar e ambiental.


- Um estudo levado a cabo na Universidade do Kansas demonstra que a broca do milho desenvolve rapidamente resistência à toxina segregada pelo milho transgénico “Bt”. É portanto uma manipulação genética cuja utilidade parece ter os dias contados.

- Perda de biodiversidade, impactos sobre insectos úteis ou não visados, criação de infestantes resistentes a pragas e herbicidas e poluição genética.


- Monopólio de grandes indústrias de biotecnologia sobre o sector agroalimentar, perda de independência dos agricultores e negação do direito de escolha dos consumidores.


Vantagens ecológicas e ambientais

A prática da Agricultura Biológica, por não utilizar pesticidas de síntese nem adubos azotados de síntese – que contaminam os lençóis de água potável – é uma garantia permanente de preservação da água pura nos tempos futuros. Os estudos efectuados em França e na Alemanha revelam que o teor de pesticidas na água da chuva, ultrapassa largamente, em muitos casos, o teor permitido em água de consumo. Este é motivo suficiente para ponderar se vale a pena continuar a aplicar pesticidas nas quantidades actualmente praticadas.

A diminuição da diversidade biológica é um dos principais problemas ambientais dos dias de hoje. A Agricultura Biológica preserva as sementes para o futuro impedindo, deste modo, o desaparecimento de inúmeras variedades de grande valor nutritivo e cultural. Este modo de produção respeita o equilíbrio da natureza e contribui para um ecossistema são. O equilíbrio entre agricultura e floresta, as rotações de culturas, etc., permitem a preservação de um espaço rural capaz de satisfazer as gerações vindouras.



EUA – Nas águas subterrâneas de diversos Estados foram encontrados 98 pesticidas contaminando a água de 10 milhões de habitantes.

Alemanha – inspecção a 300 sistemas de distribuição de água mostrou que mais de metade estavam contaminados com herbicidas.

Portugal – um estudo realizado pelo Instituto Superior de Agronomia região do Ribatejo e Oeste revelou a existência de um pesticida num furo de água em concentrações 45 vezes superiores ao limite admissível. 33% furos com resíduos. 40% dos furos continham pesticidas acima do LMR.


Vantagens agronómicas

Protecção da fertilidade do solo, da vida microbiana e da diversidade biológica. O solo é a base de toda a cadeia alimentar e a principal preocupação da Agricultura Biológica. Qualquer prática no âmbito da pedologia deve visar a conservação do solo e, inclusivamente, melhorar a sua condição, em particular pelo aumento do teor em húmus das terras aráveis. A diminuição da diversidade biológica, por outro lado, é um dos principais problemas ambientais dos dias de hoje. A Agricultura Biológica preserva as sementes para o futuro, impedindo, deste modo, o desaparecimento de inúmeras variedades de grande valor nutritivo e cultural.


François CHABOUSSOU demonstrou que numerosos pesticidas, tais como os pertencentes ao grupo dos organofosforados, podem inibir ou mesmo suprimir a proteossíntese e provocar nos tecidos uma acumulação de substâncias solúveis, que podem estar na origem não só da recrudescência de doenças criptogâmicas nas plantas, mas também de vírus, por um efeito de natureza nutritiva.

Vantagens para a sociedade

A Agricultura Biológica permite a revitalização da população rural e restitui aos agricultores a verdadeira dignidade e o respeito que lhe são merecidos pelo seu papel de guardião das paisagem e dos ecossistemas agrícolas.

Graças à dimensão humana que estas explorações assumem, às práticas ecológicas e à gestão adequada dos recursos locais, os produtores agrobiológicos geram oportunidades de criação de empregos permanentes e dignos.

Nas suas compras:

Prefira produtos de Agricultura Biológica

Evite carnes fumadas, chouriços, salsichas e alimentos que contêm conservantes com nitratos (E-249, E-250, E-251, E-252).

Consuma produtos frescos da época.


Bibliografia útil:

- Manual de Agricultura Biológica,

- Guia da Agricultura Biológica, Jean-Paul Thorez

- “A Joaninha”, boletim informativo da AGROBIO

- Le Guide Alimentaire Anti-âge, La Fondation pour l’Avancement de la Recherche Anti-âge.

 

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