Vantagens de comer Biológico

Alexandra Costa (AGROBIO) e Jean-Claude Rodet
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Os anti-oxidantes

Os anti-oxidantes são muito importantes na alimentação humana, uma vez que capturam os radicais livres, moléculas que destroem os nossos tecidos, conduzindo a doenças degenerativas. São indispensáveis na prevenção do cancro, doenças cardio-vasculares, cataratas, etc. Os mais comuns são o beta-caroteno, a vitamina C, a vitamina E, os flavonóides, o licopeno e a luteína. As melhores fontes são os produtos vegetais.

Fontes de beta-caroteno: espirulina (alga), abóbora, cenoura, batata doce, manga, espinafres, damascos, pimento verde, brócolos e hortaliças verdes de folha.

Fontes de licopeno: tomate, cenoura, pimento verde, damasco, toranja e melão.

Fontes de vitamina C: papaia, goiaba, laranja e outros citrinos, kiwi, manga, brócolos, pimento, couve e morangos.

Fontes de flavonóides: cebola, salsa, ruibarbo, toranja, laranja, maçã, damasco, pêra, pêssego, tomate, cereja, groselha, uva, ameixa, framboesa, morango, leguminosas, salva, chá verde e vinho tinto.

Fontes de vitamina E: sementes de oleaginosas, óleos de primeira pressão a frio, gérmen de cereais; o processo de refinação e a fritura dos óleos destroem a vitamina E.


Uma abordagem puramente analítica do valor nutritivo dos alimentos, no entanto, não tem em consideração determinadas substâncias (antibióticos naturais, óleos essenciais, etc.), não avalia efeitos sinérgicos nem antagónicos entre as substâncias e nada indica acerca da actividade das mesmas. Daí que têm procurado fazer-se estudos de base holística, constatando-se efeitos surpreendentes em animais alimentados com produtos de agricultura biológica, quando comparados com animais alimentados com produtos convencionais: os primeiros apresentam claramente maiores níveis de fecundidade e melhores defesas imunitárias.



Tabela 2 - Influência da alimentação na fecundidade e resistência a doenças infecciosas, em coelhos (Staiger, 1986).


Outros estudos vêm corroborar estes resultados: Scharpf e Aubert (1976), constataram que coelhas alimentadas durante 6 semanas com forragem “biológica” apresentavam 52% de fecundidade, quando a fecundidade de coelhas alimentadas com forragem convencional era de apenas 36%. Os mesmos autores constataram maior fecundidade (medida em termos de mobilidade dos espermatozóides) em touros alimentados com forragem produzida de acordo com o modo de produção biológico (42% de mobilidade normal dos espermatozóides em touros alimentados com forragem convencional vs. 74%, em touros alimentados com forragem “biológica”).


2. Ausência de resíduos de pesticidas


Inúmeros pesticidas proibidos em determinados países devido à sua toxicidade continuam a ser utilizados, por vezes vendidos ilegalmente e obtidos por contrabando. Os estudos toxicológicos reconhecem a relação existente entre os pesticidas e certas patologias, como o cancro, as alergias, a asma, etc. A Organização Mundial de Saúde estimou que cerca de 3,5 a 5 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de envenenamentos agudos com pesticidas, anualmente. Em virtude disto, quaisquer que sejam os benefícios dos alimentos biológicos a nível individual, são certamente benéficos a uma maior escala.

A maior parte dos pesticidas autorizados para uso agrícola foram homologados muito tempo antes de se levarem a cabo os estudos que vieram a comprovar relação desses produtos com o cancro e outras doenças. Nos Estados Unidos, segundo informações da Agência de Protecção Ambiental, 90% dos fungicidas, 60% dos herbicidas e 30% dos insecticidas homologados são cancerígenos. Um relatório da Academia Nacional das Ciências concluiu que os pesticidas podem conduzir a um aumento de 1,4 milhões de casos de cancro nos EUA. O simples tratamento de relvados com herbicidas aumenta 4 vezes o risco de leucemia em crianças até aos 10 anos.

Em Portugal são aplicados anualmente cerca de 23.000 ton. de pesticidas, colocando o nosso País em quinto lugar a nível mundial em termos de consumo de pesticidas por unidade de superfície.

Estudos realizados em França verificam uma correlação evidente entre a percentagem de alimentos “biológicos” consumidos e o teor de resíduos no leite materno: quando a mãe consome mais de 80% de alimentos obtidos por este modo de produção, o teor de resíduos no leite é quase três vezes inferior.



Tabela 3 - Poluição do leite materno em função da percentagem de alimentos de Agricultura Biológica na alimentação, em França (Aubert, 1987)



O limite máximo de resíduos (LMR) não garante a inocuidade dos alimentos

O limite máximo de resíduos, ou seja, o teor de resíduos que é tolerado por lei nos alimentos ou na água, não tem em conta três factores muito importantes:

- certos pesticidas, que mimetizam a acção de hormonas (e por isso conhecidos como “disruptores endócrinos”), têm uma acção mais forte a pequenas concentrações do que a concentrações elevadas. Têm sido associados a problemas de infertilidade e cancros nos órgãos reprodutores.

- os pesticidas são susceptíveis de bioacumulação nos tecidos adiposos de mamíferos, incluindo no ser humano;

- combinações de vários pesticidas diferentes podem ter um efeito sinérgico, potenciando mutuamente a sua actividade. A investigação revela que uma mistura de quatro pesticidas, mesmo em pequenas doses, tem um efeito 1600 vezes superior ao dos mesmos pesticidas actuando isoladamente.

Uma equipa de investigadores Dinamarqueses demonstrou que, entre 1949 e 1990, a quantidade de espermatozóides presentes no sémen humano baixou de 113 para 66 milhões por mililitro (British Medical Journal, 1992).


Em França, de 1986 a 1996, a incidência de cancro no testículo aumentou 50%, de acordo com Guy Hédelin, investigador dos laboratórios de Epidemiologia e Saúde Pública de Estrasburgo (Sciences et Avenir, 1997)

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