
Figura 1 – As actividades da Indústria da Cortiça. Fonte: adaptado de (Gil, 1998)
Utilizações e Aplicações da cortiça
Desde a sua origem, a indústria da cortiça está associada à comercialização de vinhos, o que justifica que a rolha (actividade transformadora) seja a principal produção do sector (com cerca de 61% dos produtos fabricados). Ressalta-se ainda que, cerca de 80% da cortiça produzida mundialmente é transformada na Península Ibérica, cabendo mais de 50% a Portugal (Gouveia, 2001). Os desperdícios da produção de rolha constituem a matéria prima dos aglomerados (33%) e dos granulados (3%).
Os produtos derivados da cortiça têm várias utilizações, sintetizadas na figura 2. Ressalta-se que a cortiça natural é utilizada essencialmente na vedação de recipientes, pelo que as outras utilizações recorrem aos granulados e aglomerados puros ou compostos. O principal sector consumidor dos produtos de cortiça é o sector vinícola (cerca de 60%), seguido da construção civil (com 15%) e do sector automóvel (11%).
Figura 2 – Utilizações e Aplicações da Cortiça. Fonte: adaptado de (Gouveia, 2001)
Os produtos derivados da cortiça destinam-se, na sua grande maioria, aos mercados externos, registando-se volumes de exportação da ordem dos 90%, dos quais 75% são referentes às rolhas. A exportação destes produtos corresponde a cerca de 3% do total das exportações nacionais (Gouveia, 2001). Os principais mercados de exportação são a França, Alemanha, Espanha, Itália, Reino Unido, e mais recentemente, Austrália, África do Sul e EUA (Anuário 2000, APCOR & AIEC) (figura 3), que são grandes produtores de vinhos de qualidade.

Figura 3 – Volume de Exportações (em percentagem) de cortiça de Portugal para os principais países destino, para 1998 e 1999. Fonte: Anuário 2000 (APCOR & AIEC).
Assiste-se actualmente a uma reorganização de todo o sector, com vista a integrar medidas de controlo de qualidade da produção e dos sistemas produtivos, como o Código Internacional das Práticas Rolheiras – CIPR (C.E.Liège, 1997-1999), destinadas a fazer face ás exigências de certificação por parte das caves importadoras de rolhas e à “ameaça” desencadeada pelo aparecimento de produtos sintéticos alternativos. Estas medidas pretendem assegurar a competitividade e liderança do sector nos mercados internacionais.