Este trabalho conjunto tem sido extremamente bem sucedido, dotando os líquenes de capacidades que lhes permitem sobreviver a condições extremas de calor, frio e seca. É por este motivo que os encontramos desde os trópicos, até às regiões polares, em mais de 15000 formas distintas, por vezes colonizando habitats que não seriam colonizáveis pelas algas e fungos independentemente. Por exemplo, podemos encontrar líquenes nos Himalaias, a altitudes de 5490 m; nas calotes glaciares da Antárctida, onde o frio é tão intenso que o crescimento só é possível alguns dias por ano; em correntes arrefecidas de lava; nas superfícies rochosas e nas areias dos desertos. Alguns líquenes no Árctico e no Antárctico crescem literalmente dentro de rochas, ficando apenas as estruturas reprodutoras fora delas. São, ainda, capazes de "encerrar a actividade", em termos metabólicos, durante períodos de condições desfavoráveis, para "reviverem" se essas condições se alterarem. É o que acontece quando há água disponível, pois mesmo depois de muitos anos de seca, os líquenes conseguem voltar à actividade, por absorção rápida de água, assim que esta surge.

Mas para além de ambientes extremos, os líquenes crescem em praticamente todas as superfícies. Com quantidades apropriadas de luz e humidade, ar puro, e na ausência de competição, eles podem colonizar qualquer superfície não perturbada - troncos e folhas de árvores, madeira morta, metal oxidado, esqueletos de animais e até vidro. Na tundra árctica, os líquenes crescem de uma forma particularmente luxuriante, formando arbustos com 0,5 m de altura, providenciando uma fonte de alimento de Inverno, vital para a sobrevivência de várias espécies de grandes herbívoros, como as renas.
Contudo, e apesar da grande diversidade de formas, desde os líquenes incrustantes que formam um fino revestimento nas rochas, até outros que desenvolvem ramos minúsculos e crescem em moitas densas, a sua estrutura básica é semelhante, variando apenas no grau de organização estrutural.
No extremo encontram-se organismos muito simples, resultantes de associações praticamente casuais, com modificações estruturais muito ténues. Os líquenes mais conspícuos possuem uma estrutura bem definida, muitas vezes com zonações distintas entre parceiros. Normalmente, as células fotossintéticas são encontradas numa banda definida, onde estão intimamente ligadas com as hifas dos fungos, para a troca de nutrientes. Estas células pertencem, na maior parte dos líquenes, a algas verdes, da Divisão Chlorophyta. No entanto, em 10% dos casos, estes parceiros são algas azuis ou cianobactérias, da Divisão Cyanophyta. Existe, ainda, uma pequena percentagem de líquenes que contém os dois tipos de algas. O facto de poderem ter como parceiro fotossintético mais do que um tipo de alga, mostra que esta associação deve ter surgido de forma independente, em várias ocasiões, no decurso da história da vida.