Xiloteca de madeiras tropicais e comércio internacional

Fernanda Bessa, Teresa Quilhó e Helena Pereira - Centro de Estudos de Tecnologia Florestal, Instituto de Investigação Científica Tropical e Centro de Estudos Florestais, Instituto Superior de Agronomia
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A CITES (Convenção sobre o comércio internacional das espécies da fauna e da flora selvagem ameaçadas de extinção), uma convenção internacional em vigor desde 1975 e subscrita por 157 países (entre os quais Portugal), restringe o comércio de diversas espécies consideradas em risco de extinção. São exemplos o pau-santo, o pau-preto, os mognos americanos ou o sândalo vermelho (Quadro 1).

Quadro 1. Lista das espécies madeireiras cujo comércio é restringido pela CITES 
 
 

Este facto é especialmente importante para as regiões e países com forte indústria de produtos florestais, importadores de madeiras, nomeadamente tropicais ou "exóticas", como é o caso da União Europeia e, particularmente, de Portugal.

Acresce que actualmente é dada atenção pelos consumidores e organizações não governamentais aos aspectos de conservação ambiental e sustentabilidade florestal, sendo de prever que o controle de proveniência de madeiras se torne cada vez mais restritivo e exigente, obrigando, por exemplo, a certificados de identificação e origem. A obrigatoriedade de apresentação de um certificado de identificação de uma madeira aplicada em obra poderá também constituir uma medida de controle para o comércio das madeiras e contribuir para diminuir o abate indiscriminado de espécies protegidas.

Existe um exemplo recente ocorrido em Portugal, em 2000, quando uma organização não governamental impediu o desembarque nos portos de Leixões e Viana de Castelo, de madeiras africanas provenientes dos Camarões, destinadas à indústria de madeira, sob suspeita do comércio de espécies protegidas pelo CITES. A saída dos troncos dos portos apenas foi possível após a sua identificação como espécies de comércio autorizado, um trabalho que foi levado a cabo pelo Centro de Estudos de Tecnologia Florestal do Instituto de Investigação Científica Tropical.

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